Pode o justo pagar pelo pecador?

A vacinação dos professores e pessoal não docente foi suspensa, tendo sido adiada a tarefa profusa de inocular mais de 200.000 profissionais da Educação.

A atitude, não sendo inédita, parece-me plena de prudência e acerto, uma vez que, apesar de a grande maioria ter respondido afirmativamente à convocatória, o desconforto e a dúvida foram tomando corpo face às notícias ressonantes sobre as contraindicações.

Este facto marcou a semana educativa, a par do ansiado regresso dos discentes dos 2.º e 3.º ciclos, após quase dois meses de permanência em casa na modalidade de ensino à distância, pontuando o arranque da 2.ª fase do desconfinamento e do 3.º período letivo.

As escolas e os profissionais que as integram têm respondido aos desafios com empenho, desenvolvendo um serviço educativo de elevada qualidade, independentemente do regime em que o fazem (presencial e/ ou à distância). Os alunos, desejosos de retomarem o contacto com os seus colegas, docentes e funcionários, expressaram estar carentes do lugar prazeroso no qual progridem na construção dos saberes, dos valores, do ser pessoa, transmitindo por atitudes e gestos um dos mais nobres sentimentos - a saudade!

Sendo a proteção de todos o bem máximo que a escola lhes pode garantir em termos de saúde, o reforço das regras e procedimentos adotados pelos estabelecimentos de ensino e a sensibilização (e reiteração) para o seu cumprimento integraram as ações iniciais. O comportamento exemplar de todos os elementos das comunidades educativas mereceu nota muito positiva pelo respeito, consciência cívica e maturidade notáveis que foram exibidas.

Realço a importância da testagem em massa, que decorreu durante toda a semana, ação a exigir continuidade frequente, aumentando a confiança num local já por si bastante seguro.

Em sentido oposto, atribuo nota negativa ao comportamento de muitos cidadãos, que descurando as normas básicas, invadiram as esplanadas e outros espaços reabertos na 2.ª feira passada, esquecendo-se que ainda vivemos num tempo que exige muitos cuidados, compreensão e respeito. O cenário que se instalou há já um ano é preocupante, não podendo aceitar-se que pela incúria de alguns, muitos outros sintam o efeito avassalador desta doença letal.

É de lamentar a irresponsabilidade de adultos, afirmada nos comportamentos que adotam, "marimbando-se" para as consequências dos seus atos, olvidando que um 3.º desconfinamento terá um impacto dramático para os nossos jovens quer ao nível das aprendizagens quer, principalmente, no que concerne à saúde, mormente a do foro mental.

Por este facto, de modo a serem reeducados na sua forma negligente de atuação, pudesse eu, obrigaria estes elementos da sociedade a frequentarem a escola para aprenderem a cumprir regras e a adotarem procedimentos corretos, atilados, de empatia fraterna para com o seu próximo.

A semana que se avizinha será marcada pela vacinação dos professores e funcionários dos 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário, e a seguinte pelo arranque da 3.ª fase do desconfinamento, com os alunos do secundário a serem recebidos de novo nos recintos que também lhes inspiravam saudade.

Seguramente, serão dias de grande frenesim noticioso, muitas expetativas e enormes anseios, exigindo-se maior atenção e responsabilização daqueles que persistem em infringir o regulamentado, guardando a cidadania no bolso do "esquecimento".

A escola faz o seu trabalho com dignidade, mas os maus exemplos provenientes da sociedade, complica-o sobremaneira.

*professor e diretor

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