Podemos voltar a dar atenção à poupança?

"A Opinião" de Pedro Pita Barros, na Manhã TSF.

Apesar desta última semana ter sido dominada pelas touradas e pelo IVA aplicável, parece-me importante falar de temas mais esquecidos na discussão pública nos últimos tempos. Um desses temas é a poupança das famílias.

É importante, quer numa ótica individual, de cada família, quer numa ótima macroeconómica. De ponto de vista agregado, da economia, quando começamos a pensar além do ano seguinte, a pensar a prazo, temos que pensar em investimento, e investimento produtivo. E esse investimento tem que ser financiado de alguma forma. Ou por poupança interna, ou por fundos vindos de fora. No primeiro caso, os ganhos do investimento são distribuídos entre quem residir em Portugal, enquanto, no segundo caso, acabarão por ser remetidos para fora do país.

É importante que haja uma componente de poupança interna a sustentar o investimento privado, podendo as poupanças das famílias ser canalizadas pelos bancos ou por outras novas formas de fazer essa ligação.

Daí que é preocupante a baixa taxa de poupança das famílias portuguesas, e que tem estado a diminuir nos últimos anos. Com as taxas de juro em valores muito baixos, houve uma procura de outras formas de poupança, além dos habituais instrumentos financeiros, onde os depósitos e os títulos de dívida pública são tradicionalmente escolhas comuns. O setor imobiliário (a habitação própria e a compra de casas para arrendar) foi destino de parte dessas poupanças. Mas as regras referentes ao setor da habitação mudam a cada mês, ou quase a cada dia, trazendo grande incerteza ao que possa suceder a essas poupanças.

A necessidade de uma visão de longo prazo para os instrumentos de poupança das famílias, e, depois, sobre a forma como essas poupanças se podem refletir em investimento produtivo, que as remunerem e façam a economia crescer, não tem tido resposta nos vários documentos e estratégias apresentadas pelo Governo. É uma falha que o Ministério das Finanças, sobretudo, deveria revisitar depois de terminado o processo de aprovação do orçamento, pois os instrumentos de dívida pública são também um elemento central e um sinal para as decisões de poupança das famílias, que depois ajudarão ao crescimento da economia. Sem ter uma visão coerente e global de como a poupança também ajuda ao crescimento económico, teremos maior dificuldade em conseguir esse crescimento.

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