Presente envenenado?

"A Opinião" de Pedro Pita Barros, na Manhã TSF.

O Governo anunciou recentemente mais 500 milhões para pagar dividas na área da saúde. Esta parece ser uma prenda de entrada para a nova equipa do Ministério da Saúde, que entrou recentemente em funções. Porém, pode ser mais do que isso. Pode ser um presente envenenado do Ministério das Finanças, ainda que involuntário.

Este anúncio ocorre poucos dias depois de sabermos que as dívidas dos hospitais públicos voltaram a subir em setembro, depois de três meses de acalmia, retomando uma tendência que vem do passado.

Ao anunciar-se um reforço adicional de orçamento, cria-se uma expectativa que favorece a criação de mais dívida. Sempre que, no passado, se deu mais dinheiro, em geral, gerou-se mais dívidas nos meses e anos seguintes. A atribuição de mais verbas não estancou o processo de criação de dívida.

Seria melhor, para mudar os espíritos e a forma de encarar este problema, não anunciar esses reforços, e negociar com cada hospital quais os objetivos a cumprir, com este reforço, poderia conduzir a melhores resultados.

Menos praça pública e mais gestão, com as condições para tal, e acompanhamento mais próximo, deixando para mais tarde a apresentação de resultados. Com esses resultados deverá então ver-se o papel destes fundos adicionais num processo de mudança, que corte a criação de dívida.

E talvez até acabasse por ser melhor trunfo, em ano eleitoral, dizer que era um problema controlado, em lugar de se vir a descobrir mais tarde que, uma vez mais, desapareceu a verba, e permaneceu o problema de criação de dívida.

Velhos problemas requerem, por vezes, novas abordagens. E aqui, se é certo que provavelmente tem que haver algum reforço de verba, devido a algum subfinanciamento dos hospitais públicos, era bom que o processo utilizado fosse diferente do seguido no passado. E evitar anúncios prévios de fundos disponíveis deverá ser parte desse novo processo.

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