Quando a sociedade não tem juízo a Escola é que paga

O último Conselho de Ministro confirmou a notícia aguardada: o retardamento do início do 2.º período letivo.

Prevendo-se o alvoroço generalizado propício à época de Natal e de Ano Novo, com os (in)consequentes ajuntamentos, entendeu-se penalizar as crianças, os alunos e os formandos, prolongando-se mais uma semana a pausa letiva do final do 1.º período, prejudicando as paragens pedagogicamente estratégicas do Carnaval e da Páscoa.

Apesar do avanço tecnológico digital ser cada vez mais uma realidade nas escolas e nos lares do nosso país - mau grado a falta de 600 mil computadores previstos ser entregues ainda este ano - não foi equacionada o recurso ao ensino remoto de emergência (ensino à distância), possivelmente por se reconhecer que contribuiu para o aumento das desigualdades no acesso às aprendizagens, optando-se, desta feita, por outra solução.

No arranque do ano letivo, as escolas mantiveram, tendo algumas até reforçado, as regras e os procedimentos impostos desde o início da pandemia, e que as comunidades educativas cumprem. Todavia, a complacência de algumas das normas, o desrespeito pelas mesmas (por generalização e inação de supervisão) e a dificuldade sentida na comunicação entre a DGS e as pessoas/instituições contribui(u) para a necessidade de instituir a "semana de contenção de contactos", que verdadeiramente deve ser apelidada de "semana de contenção dos desvarios dos adultos".

Talvez por isso, Marcelo Rebelo de Sousa tenha afirmado, a propósito das medidas anunciadas, o seguinte: "São muito importantes duas coisas: a primeira é terem juízo naquilo que são as regras sanitárias que o convívio social impõe, mas não deixarem de acreditar naquilo que é fundamental, a vida continua, vai continuar até ao fim deste ano e vai continuar no ano que vem".

E tem toda a razão!

Se, por um lado é certo que "a vida continua", embora balizada pelas contingências que conhecemos, por outro aguardamos expectantes sinais de moderação, que faltaram nos últimos tempos, percebendo-se claramente que quando a sociedade não tem juízo a Escola é que paga.

Uma vez mais, a solução que passou pela alteração do calendário escolar, subtraindo dias a duas pausas letivas, traduz-se no valor penoso da fatura que a Educação voltará a suportar, sem ter efetuado qualquer despesa, pelo contrário, adotando sempre uma postura proativa e de verdadeira continência.

Pelo exposto, reputo de boa notícia a aprovação da Agência Europeia do Medicamento da administração da vacina contra a Covid-19 a crianças dos 5 aos 11 anos.

Contudo, exige-se maior visão e comprometimento no tocante às decisões e, nesse sentido, outras medidas deverão ser tomadas:

A obrigatoriedade do uso da máscara nos recreios das escolas do 5.º ano em diante;

A possibilidade do uso das máscaras nas salas de aula e recreios do 1.º Ciclo;

O agendamento da toma da 3.ª dose da vacina para os profissionais da Educação (professores, pessoal não docente, técnicos).

As próximas semanas serão mais um teste de importância crucial, que deverá ser assumido sem ligeireza, antes com consciência cívica e proatividade, para reduzir os impactos de uma situação que só podemos admitir que melhore.

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