Quando tudo se controla, mas há trabalhadores descartáveis

Com o estado de emergência prolongado por mais 15 dias, a máquina do Estado vai apertar mais um bocadinho a vida de todos nós. Poucos porão em causa a necessidade de apertar mais um bocadinho, agora que se aproxima a Páscoa e a saudade da família convida a que se cumpra a tradição de ir à terra. Confinados que estamos, confinados vamos continuar a estar.

A nossa incapacidade de circular não é um especial problema. O melhor combate ao vírus, e portanto a melhor maneira de salvar vidas, continua a ser o distanciamento social. Não podemos é deixar que em nome desta pandemia todos os atropelos sejam possíveis. Agora estamos obcecados em acabar com a Covid-19, em sobreviver para chegar ao momento em que vamos poder viver com o novo coronavirus como vivemos com outros vírus.

Quando chegarmos aí saberemos que resolvemos esse problema mas que temos outros para resolver. A velocidade com que vamos recuperar a economia será muito, muito mais lenta que a velocidade com que estamos a destrui-la. O desemprego será um flagelo social que vai exigir o melhor de todos nós. Temos de ser solidários. Nos Estados Unidos já há previsões que a taxa de desemprego suba a níveis superiores aos da Grande Depressão. Por cá, admite-se que possa vir a ser o triplo do que era no inicio do ano. O que tiver de ser, será e também será juntos que vamos ter de ganhar essa batalha.

Mais difícil de aceitar é o que já está a acontecer com dezenas de milhar de trabalhadores a serem descartados, só porque têm contratos a prazo, porque são falsos recibos verdes, porque trabalham em empresas em que os patrões não querem arriscar e despedem antes mesmo de tentar salvar todos os postos de trabalho possíveis. Não se trata de proibir despedimentos, trata-se de exigir que o Estado que tudo controla pela situação de Emergência seja capaz de fiscalizar o que é ilegal e controlem para que os oportunistas não vençam.

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