Ranking de Sucesso

Ano após ano, e cada vez mais tarde, o pseudo-intitulado ranking das escolas é tornado público por alguns órgãos de comunicação social, que elegem diferentes critérios a partir dos dados facultados pelo ministério da Educação.

Em silêncio, e numa aparente tranquilidade, aguarda-se por esta(s) controversa(s) tabela(s) classificativa(s), cuja divulgação deve estar por um triz!

Seguir-se-á o habitual frenesim noticioso, que empola apenas uma ínfima parte do processo educativo e do mérito dos alunos, diluindo o empenho e esforço de muitos, assim como o trabalho árduo das escolas ao longo do ano letivo, permitindo-se realçar apenas os resultados dos exames, que ditam uma(s) tabela(s) de graduação de escolas, injusta, impiedosa e nociva.

Questiono a finalidade e o interesse que acalentam a manutenção de tal procedimento.

A Escola Pública não se revê nos princípios que tendem a espartilhar o processo de ensino-aprendizagem no sentido de um objetivo único - o ingresso no ensino superior - obrigando a um treino intensivo, prolongado e assaz exigente, que vota muitos a uma eliminação precoce, pois afunila, restringindo as potencialidades, afigurando-se impessoal e de modo nenhum inclusivo.

Numa sociedade que confirma e reafirma a importância das soft skills, preparar os alunos para o futuro, abraçando um projeto de vida que passe pela prossecução de estudos, uma formação avançada ou a entrada para o mundo do trabalho, implica o comprometimento efetivo da parte das escolas em definir eixos de ações que promovam a criação de oportunidades para todos progredirem nas aprendizagens, no desenvolvimento competências pessoais e sociais, nos valores e saberes transversais.

Não se mede o mérito de alunos, tão pouco o dos estabelecimentos escolares apenas pelos resultados de exames ou pelas médias académicas. Importa ter uma visão compreensiva da sua realidade, dos seus alunos, das boas práticas e dos projetos implementados, para que as metas sejam alcançadas.

Os Percursos Diretos de Sucesso (Ranking de Sucesso) afirmam-se um instrumento comparativo fidedigno e justo, capaz de analisar e traduzir uma multiplicidade de variáveis com base em referentes com características similares, inviabilizando as discrepâncias incabíveis, quando em presença de significativas disparidades casuísticas.

A parcialidade da informação não se coaduna com uma Educação de primeira linha, nem é honesta para as famílias, alunos ou para os profissionais que se entregam com dedicação à sua profissão. Urge não só debater com a verdade dos números, mas também a alteração do modelo de acesso ao ensino superior.

Quem está nessa disposição?

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