Saúde com mais pontes e menos muros

"Não podia recusar o convite", disse Manuel Pizarro quando há uma semana assumiu a função de novo ministro da Saúde. Foi no sábado, 9 de setembro, que aceitou a missão.

Médico de formação, Pizarro sabe bem o que sofrem os colegas dos blocos de urgências ou das consultas. Nos hospitais falta gente, falta dinheiro e falta cumprir o verdadeiro serviço público de assistência na saúde aos cidadãos.

Tem 58 anos, foi secretário de Estado da Saúde de José Sócrates, entre 2008 e 2011 e deputado no Parlamento Europeu. Homem forte do PS, tem a seu favor a proximidade com António Costa e tem a seu lado uma nova figura, o novo CEO do SNS, que tanto pode ser o seu adversário como o seu braço direito.

Função acerca da qual o Presidente da República levantou reservas e enviou "um conjunto de dúvidas específicas", ao governo, acabando por promulgar na última sexta-feira a lei que criou o CEO do SNS. Quanto ao nome, se será Fernando Araújo ou não, Marcelo não se pronunciou até ontem e o ministro remeteu o anúncio para os próximos dias.

Ainda assim, Marcelo não deixou de insistir que o mais importante é "a orgânica" no setor da saúde para permitir que o Executivo defina as "linhas políticas" e, depois, haver "quem, com autonomia, faça a gestão, não dependendo dos humores governativos na gestão do dia-a-dia ou das sensibilidades do dia-a-dia".

Os portugueses dispensam camadas de burocracia ou estruturas bicéfalas que criam mais entropías e pedem menos humores e mais acções concretas e eficazes. Se o novo CEO do SNS tem um caderno de encargos infindável, Manuel Pizarro não tem menos e, aliás, os cadernos cruzam-se.

Maturidade e experiencia não faltam ao novo governante. Agora, vamos ver se saberá construir pontes em vez de erguer muros. A dificuldade de acesso à saúde, o excesso de mortalidade, e outros pesadelos pedem resposta urgente. As parcerias público-privadas, que Pizarro defende mas o governo foi revertendo, terão necessariamente de voltar para cima da mesa.

E é preciso deixar de lado os preconceitos ideológicos e que o primeiro-ministro dê margem de manobra a Pizarro para que possa desenvolver a habilidade de encontrar novas soluções para velhos problemas.

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