Shame on you

O próximo domingo era um bom dia para os jogadores do Futebol Clube do Porto entrarem no estádio do Dragão com braçadeiras pretas. O próximo domingo era um bom dia para os adeptos portistas receberem os adeptos da equipa que os visita com uma tarja gigante pedindo-lhes que tenham vergonha da justiça em Portugal.

E não, não é por causa das operações Cartão Vermelho, Cartão Azul ou Fora de Jogo, porque aí devem estar juntos no aplauso a uma justiça que olha para o futebol, ou parece olhar, como olha para as outras atividades económicas. O que envergonha é a justiça racista que temos em Portugal.

No domingo, o Futebol Clube do Porto recebe o Vitória Sport Clube que foi esta semana beneficiado por uma decisão do Tribunal Arbitral do Desporto. O TAD anulou uma decisão do Conselho de Disciplina que tinha determinado a realização à porta fechada de três jogos. Lembramo-nos todos do tristemente célebre Guimarães-Porto em que Marega ameaçou abandonar o jogo, quando da bancada ouviu um número muito significativo de adeptos vitorianos (tinham de ser muitos porque se ouvia no estádio e na televisão) - uma cambada de imbecis (não temos de ter medo das palavras) - a imitarem sons de um macaco para o insultar.

O TAD alega que "não ficou demonstrado que o Vitória SC tenha promovido, ou sequer consentido ou tolerado os cânticos racistas em questão". Pois não, não havia um sistema de som para exigir respeito pelo jogador e pela lei portuguesa que considera o racismo um crime? Claro que havia, não fizeram nada porque o jogador tinha passado pelo clube e não tinha deixado saudades. Pena que o TAD não tivesse sido capaz de recuperar a posição do presidente do Vitória que pôs a culpa em Marega. Na linha, aliás, do tristemente célebre comentador Rui Santos que acusou Marega de ter desrespeitado toda a gente.

O Tribunal de Guimarães também já tinha ilibado os adeptos do Vitória e assim chegamos ao fim deste processo com a convicção de que devemos um pedido coletivo de desculpas ao jogador maliano. Este país tem demasiada gente racista. Eu tenho vergonha e tenho a esperança de que a maioria dos meus compatriotas também tenha.

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