"'Strala a bomba e o foguete vai no ar..."

"... arrebenta, fica todo queimado". Quem melhor que os Adiafa e o seu hit musical para resumir o que aconteceu nesta campanha eleitoral? A acusação do Ministério Público ao ex-ministro da Defesa , Azeredo Lopes - que está acusado de quatro crimes -, estourou que nem uma bomba nas mãos dos líderes partidários. Acabaram-se as desculpas. Acabaram-se as frases feitas. Tancos é definitivamente um tema da campanha das legislativas.

Assunção Cristas foi a primeira a cavalgar politicamente o assunto para acusar o Governo de andar a proteger criminosos. Mas quase todos a deixaram a falar sozinha. Até chegar Rui Rio, o político que sempre criticou os chamados julgamentos na praça pública, mas que agora parece ter decidido que não valeria a pena esperar pelo julgamento e decidiu começar a disparar na direção de António Costa.

Depois de ler a acusação do Ministério Público, o presidente do PSD começou por concluir que, mesmo que nem tudo seja verdade, nem tudo pode ser mentira. O que faz com que, para Rio, seja " pouco crível" que o primeiro-ministro não soubesse do encobrimento do furto das armas. Estava dado o primeiro tiro de um fogo cruzado que teve resposta uma hora depois.

Ora, António Costa, que até aqui tinha fugido ao tema - como pôde e o mais que pôde - não teve outro remédio que não fosse defender-se do ataque direto - e em direto - do líder do principal partido da oposição. Costa começou por lembrar as respostas que deu à Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Tancos, defendeu-se com as perguntas que a justiça nunca lhe fez durante a investigação e concluiu que "não é aos 58 anos" que reconhece a Rui Rio autoridade para fazer julgamentos morais sobre a sua atitude política.

O presidente do PSD haveria de responder, já noite dentro, que Costa estava a reagir a uma coisa que ele não disse. E o que o Rio disse - e voltou a repetir - é que, se o primeiro-ministro sabia do encobrimento, é grave. Se não sabia, é igualmente grave. Mas não será isso partir do pressuposto que Azeredo Lopes é mesmo culpado?

Enquanto o presidente do PSD concentrava os seus ataques ao PS, o seu vice-presidente, David Justino, concentrava-se nos ataques à esquerda. Justino foi para o Twitter falar de "encenações" e de uma "badalada autoridade moral" do BE e do PCP, que aprovaram "na AR um relatório que encobria a responsabilidade política e criminal do Governo".

E o caso começava mesmo a ficar impossível de ignorar pelo BE e pelo PCP. Se, da parte da manhã, Catarina Martins considerava que Tancos era tema que "não ajudava" ninguém nesta campanha, à tarde, a coordenadora do Bloco de Esquerda afinou o discurso e já veio admitir que seria muito grave concluir que houve responsáveis políticos a mentir no Parlamento.

Faltava Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do PCP tinha tentado arrumar o assunto, dizendo que "ninguém está acima da lei" , mas acabou ultrapassado pelos acontecimentos. Jerónimo vem agora dizer que a comissão de inquérito nunca devia ter acontecido antes do processo judicial estar terminado. Ainda que o PCP tenha aprovado as suas conclusões que, basicamente, ilibavam politicamente Azeredo Lopes. Detalhes.

Esta sexta-feira, o secretário-geral do PCP é o convidado de Manuel Acácio, para mais um Fórum TSF, desta vez em direto de Messines. Se quiser passar por lá, é muito bem-vindo. Se quiser fazer perguntas a Jerónimo de Sousa, é telefonar e inscrever-se. Ontem foi a vez de André Silva, do PAN, que voltou a abrir a porta a um acordo com o PS, desde que fique tudo por escrito.

O que sobra da campanha

Sim, há mais campanha para além do caso Tancos. Para começar, há uma nova sondagem da Pitagórica para a TSF, JN e TVI , que volta a dar o PS a subir e o PSD estagnado. Os dois partidos estão agora separados por 11,5 pontos percentuais, mas o inquérito - e isto é relevante - foi feito antes da polémica de Tancos.

Coisas que estavam pendentes: o PS deixou o desafio do PSD para um debate de "centenos" a marinar durante 48 horas. A resposta chegou agora e está aqui .

Entretanto, já cá faltava o pezinho de dança a que nenhum político, nem mesmo Rui Rio, consegue resistir. O Filipe Santa Bárbara e a Carolina Rico testemunharam o momento em que o Presidente do PSD se arriscou no folclore. Avaliações? Cada um que faça a sua. Mas dou uma dica: cavalinho.

A propósito de música, se ainda não ouviu, recomendo vivamente "Os partidos dão-nos música" do Pedro Tadeu. Desta vez, ele mergulha nas origens do hino do PPD-PSD , o famoso "Paz, pão, povo e liberdade". Sabia que esteve quase para ser o hino de um partido de esquerda?

E está quase tudo dito sobre mais um dia de caravana eleitoral, resumida aqui , num minuto, pelo João Félix Pereira. Esta sexta-feira é dia de Bloco Central semanal, com o Pedro Adão e Silva e o Pedro Marques Lopes. E estamos, precisamente, a uma semana do final da campanha para as Legislativas 2019. A TSF vai continuar a levar-lhe diariamente o que precisa de saber para decidir o seu sentido de voto.

Tenha um excelente dia.

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