Tancos roubou a maioria absoluta ao PS?

A pergunta não é retórica, mas também nunca terá uma resposta definitiva. Hoje, como há quatro anos, quando o Partido Socialista perdeu as eleições depois da detenção de José Sócrates no âmbito da Operação Marquês. A verdade é que Tancos foi mesmo uma bomba atómica nesta campanha eleitoral e dizimou quase tudo à sua volta. Nada voltou a ser como dantes. Nada conseguiu superar a notícia de que um ex-ministro do Governo estava acusado de quatro crimes.

António Costa não voltou a ser o mesmo em campanha, depois de ser conhecida a acusação do Ministério Público. As sondagens começaram a dar uma descida do PS e uma consequente subida do PSD e Costa começou a proteger-se ainda mais, a fechar-se na bolha das arruadas e a encontrar subterfúgios para ter de cumprir apenas os serviços mínimos na campanha. Os ataques diretos aos adversários políticos ficaram a cargo de outros socialistas, chamados para o efeito. César, Santos Silva, Alegre, Pedro Nuno Santos, Jorge Coelho, vão fazendo valer a velha máxima do "quem se mete com o PS leva". Costa limita-se, agora, aos sorrisos, aos beijos, a visitas a obras ainda por fazer e, a espaços, a mostrar que continua a ser primeiro-ministro. A campanha parece ter-se tornado demasiado penosa.

A esquerda ajuda como pode e a prova disso é que a geringonça voltou a funcionar - pela última vez, nesta legislatura -, esta quarta-feira, ao impedir a realização da Comissão Permanente para discutir Tancos , pedida pelo PSD e pelo CDS antes das eleições. Assunção Cristas culpou Ferro Rodrigues , Fernando Negrão mostrou-se incrédulo, mas, mais uma vez, Rui Rio deixou o seu líder da bancada a falar sozinho e largou o assunto. O Filipe Santa Bárbara e a Carolina Rico têm a reportagem.

Mas Tancos promete assombrar esta campanha até ao último minuto. Esta quinta-feira, a revista Sábado avança que o diretor do DCIAP meteu os pés à parede e impediu os procuradores do Ministério Público de fazerem perguntas a António Costa e a Marcelo Rebelo de Sousa por considerar que se tratam de cargos de "elevada dignidade". A decisão não caiu bem aos procuradores, que terão exigido uma justificação por escrito, para memória futura.

Podemos saltar já para domingo?

Se tentarmos expurgar o caso Tancos da campanha, pouco ou nada resta de substancial. O PSD continua entusiasmado com as sondagens que antes detestava, mas incapaz de marcar a agenda. Rui Rio - que viu o diabo esta quarta-feira - insiste no debate de "Centenos". O problema é que "o original", Mário Centeno, decidiu subir a fasquia, numa declaração à Lusa, e colocou-se ao nível de um líder partidário: debate se for com o próprio Rui Rio .

Assunção Cristas, que já tinha problemas que chegue, passou um final de tarde agitado no Porto e foi alvo de uma tentativa de agressão por parte de uma mulher que ainda não se esqueceu de que a líder do CDS fez parte do Governo de Passos Coelho durante os anos de austeridade.

Na CDU, Jerónimo de Sousa cavalga como pode as notícias do dia e, do palco de um comício, fez perguntas a Mário Centeno sobre 600 milhões de euros que "voaram" de Portugal para offshores. A Liliana Costa estava lá e conta-lhe tudo.

Quem se orgulha - e de que maneira - desta legislatura é Catarina Martins. Quer dizer, pelo menos em parte. Aquela parte em que o Bloco de Esquerda votou a favor, porque, o resto é tudo culpa do PS.

Mais do mesmo, portanto. Até porque a mais recente da Pitagórica para a TSF, JN e TVI , aponta para uma descida generalizada, com exceção do Partido Socialista e do PAN. Motivo de sobra para André Silva andar com a confiança em alta por estes dias. O porta-voz do Pessoas, Animais e Natureza até já traça objetivos eleitorais para o próximo domingo.

No campeonato dos pequeninos, Vitorino Silva (AKA Tino de Rans), garante que o povo está com ele . O povo talvez, porque as gaivotas , claramente, não gostam deste candidato.

Estarão os partidos fartos de campanha? Foi a pergunta que fiz ao Pedro Marques Lopes e ao Pedro Adão e Silva em mais um Bloco Central Especial Legislativas 2019. Enquanto o João Félix Pereira resumia mais um dia num jingle daqueles que só a TSF sabe fazer.

Pronto, falta só deixar-lhe as sugestões do costume: esta quinta-feira, o Manuel Acácio vai abrir o Fórum TSF na Estação da Trindade, no Porto, e recebe Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda. Se quiser fazer perguntas, é favor de pegar no telefone e ligar que o Manuel Acácio atende.

E mesmo sabendo que Catarina Martins tem urticária com maiorias absolutas, fica aqui a história da música que deu duas maiorias a Cavaco Silva . Um hino composto pelo maestro José Calvário, com letra de Manuel Dias Loureiro. É esse mesmo que está a pensar.

Despeço-me com um "até amanhã". No mesmo sítio. À mesma hora.

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