Um duelo de "Centenos" ao pôr do sol

Comece por aqui e deixe a tocar enquanto lê esta newsletter. Se não servir para outra coisa, a interpretação de um dos temas mais conhecidos d´"O Bom, o Mau e o Vilão" - um clássico do cinema, protagonizado por Clint Eastwood - pela Orquestra Sinfónica Nacional da Dinamarca é mesmo muito boa e vale cada segundo.

Voltou a conversa do duelo de "Centenos". Do "meu Centeno é melhor que o teu". Do "vamos lá fazer as contas um do outro". A última semana de campanha começou, mais ou menos, como a primeira. Com o PS a desfazer as contas do programa eleitoral do PSD e com Rui Rio a desafiar os socialistas para um debate de "Centenos", ou de "Sarmentos", ou de "Álvaros", como quiserem. Uma valente lição , é o que promete o presidente do PSD a Mário Centeno. Só tem de aceitar o duelo ao pôr do sol. Com muita poeira e arbustos arrastados pelo vento, para parecer mais real. O problema é que Centeno gostava mesmo era de debater com o presidente do PSD . Enfim. Se um dia decidirem fazer algum destes debates, a TSF está disponível para o moderar.

Quanto mais o PS desce, mais o PSD sobe

Não sei se já reparou, mas há três dias que Rui Rio não faz piadas sobre as sondagens, no Twitter. Isso tem uma explicação: o PSD continua a subir nas intenções de voto e o PS, pelo contrário, continua em queda acelerada e regista o pior resultado dos últimos meses. No tracking poll diário da Pitagórica para a TSF, JN e TVI , os sociais-democratas encurtaram ainda mais a distância face aos socialistas, enquanto o Bloco de Esquerda cai, a CDU sobe e o PAN está cada vez mais próximo do CDS.

A última semana de campanha torna-se, por isso, ainda mais decisiva para todos. O PS, que é o partido no poder, começou por disparar em todas as direções para, agora, encontrar um foco. Depois dos arrufos com o Bloco de Esquerda, os socialistas perceberam que a principal ameaça vem do centro-direita e que é para aí que têm de direcionar toda a artilharia. Carlos César ao sábado, Augusto Santos Silva ao domingo, Mário Centeno na segunda de manhã e Manuel Alegre na segunda à noite. Todos são poucos para combater um adversário que começa a assustar.

Alegre, que ainda há uns dias queria meter o Bloco de Esquerda no seu lugar, está agora mais brando com a esquerda e faz mira aos "empecilhos" do centro-direita . Já António Costa está cada vez mais resguardado. Perguntas dos jornalistas, só o mínimo indispensável e, se puder fugir às perguntas, foge - sobretudo se forem sobre José Sócrates . Falar, só em palco, perante uma plateia já rendida e que não faz o contraditório. A regra é um soundbyte por discurso:o último foi para dizer que o PS não respeita "o poder judicial ao sabor da conveniência" . A reportagem é do Miguel Midões e da Inês Figueiredo.

Do lado de lá, no PSD, já ninguém pára Rui Rio. Ele faz piadas com as críticas dos adversários, sobe nas sondagens, sobe varandas e até sobe a parada, como contam a Carolina Rico e o Filipe Santa Bárbara. Ah, se acha que Rui Rio toca bem bateria, espere até o ver tocar bombo . Muito forte.

À esquerda, a campanha corre piano, pianíssimo. O alvo principal de Catarina Martins continua a ser o PS e a coordenadora do Bloco de Esquerda, quando quer, sabe bater onde dói mais: "Há quatro anos, o PS não ganhou as eleições e encontrámos uma solução" . Está tudo dito.

A luta do Bloco , tal como a do PCP, é a de evitar uma maioria absoluta do PS. Jerónimo de Sousa alinha pela mesma lógica: atacar o Partido Socialista, mesmo que pareça que está a atacar o PSD e o CDS . Antes, já o secretário-geral do PCP havia garantido que o telefone na Soeiro Pereira Gomes ainda não tocou para combinar uma nova geringonça.

No extremo oposto, Assunção Cristas vai fazendo pela vida, e a vida da líder do CDS, para já, não está fácil. As sondagens nunca ajudaram muito, mas este aparente crescimento do PSD nas intenções de voto só veio piorar ainda mais a situação. Cristas insiste no tema Tancos e, claro, não desperdiçou a aparição de Sócrates na campanha.

O CDS, tal como o PSD, estão determinados a não largar o assunto e os sociais-democratas já avançaram com o pedido de reunião da comissão permanente da Assembleia da República para discutir o tema. Ferro Rodrigues não teve outro remédio que não fosse marcar uma conferência de líderes para esta quarta-feira. Uma ideia que não agrada , mesmo nada, ao PS.

As assinaturas fantasma e os partidos fantasma

Quem não tem telhados de vidro, que atire a primeira pedra. Bom, em política esta frase não pode, propriamente, ser levada à letra. Se o PS tem Tancos às costas, o PSD tem agora um problema com assinaturas fantasma . A TSF avançou esta segunda-feira que, no pedido de fiscalização sucessiva entregue no Tribunal Constitucional pelo CDS e PSD, há pelo menos cinco assinaturas de deputados do PSD que, na realidade, nunca assinaram nada. Fernando Negrão admitiu tudo.

Entretanto, na RTP houve o último debate - foi mesmo o último - desta campanha, com nada mais, nada menos que 15 partidos políticos que ainda não têm representação parlamentar. E houve de tudo: Tancos, o Burundi, missas várias e um homem nu. Se não conseguiu ver, está aqui o resumo.

Fecho com duas sugestões e uma curiosidade. Sabe quem é que tocou viola baixo na gravação da música "Avante Camarada!" em 1981? Dou-lhe uma dica: é um dos maiores humoristas portugueses. O Pedro Tadeu conta-lhe a história toda.

As sugestões: o Bloco Central regressou ao formato diário especial Legislativas 2019, com a análise do Pedro Adão e Silva e do Pedro Marques Lopes. "Sondagens para que te quero" , é o tema em análise. E, esta terça-feira, o Manuel Acácio leva o Fórum TSF até ao Marquês de Pombal - ali bem ao lado do túnel do Marquês - para uma conversa entre Pedro Santana Lopes e os ouvintes. Se quiser participar, é pegar no telefone ou mandar mensagem para tsf.pt.

Tenha um excelente dia. Eu regresso amanhã.

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