Um jogo para o título

Depois de garantir a entrada direta na Liga dos Campeões, ao Sporting só falta confirmar o título. Esta foi a semana em que todos os cálculos leoninos bateram certo. Derrotou Nacional e Rio Ave, cumprindo aquilo que se exigia ao candidato número um, e foi também - à distância - o grande vencedor do clássico da Luz. Mais um triunfo e o assunto está encerrado.

Em rigor, os leões só precisam mesmo de mais dois pontos. Mas como o jogo com o Boavista, na próxima jornada, não lhos vai dar (no menu disponível consta zero, um ou três), o Sporting só pode pensar em ganhar. E, neste momento, face ao modo como chegou até aqui - com um recorde de 31 jogos sem derrotas - ninguém admite outro desfecho em Alvalade, por muito que os axadrezados possam tentar travar o que se encara como inevitável.

A questão dos dois pontos só adquire alguma importância porque o FC Porto joga na véspera com o Farense. Apenas como hipótese académica pode sempre colocar-se um cenário que passe por um empate dos dragões, o que daria de imediato o título aos leões frente ao televisor. Algo pouco crível, pois o FC Porto quer rapidamente arrumar a presença direta na Champions e, depois ter impedido o Benfica de encurtar a diferença pontual, seria quase um suicídio não ganhar aos algarvios.

Portanto, o Sporting tem de focar-se naquele que pode ser - e, desta vez, com propriedade - o jogo do título. Porque, de facto, só lhe falta um jogo para o título: uma única partida que o faça recuperar aquilo com que sonha há quase duas décadas.

Recorde-se que, no início da temporada, o objetivo verdadeiramente assumido pelo clube leonino foi o regresso à Liga dos Campeões. Na verdade, ver os dois rivais a faturarem com alguma regularidade verbas que são indispensáveis a qualquer um dos grandes em Portugal, enquanto o Sporting corria o risco de ficar cada vez mais para trás, era algo que os leões necessitavam de impedir. E isso só seria possível estando lá.

Qualquer um dos três primeiros lugares poderia abrir-lhe esse caminho, embora fosse sempre mais aconselhável evitar os problemas adicionais das qualificações. É também por isto que se compreende o alívio de Ruben Amorim depois do desafio em Vila do Conde. O (grande) investimento de Varandas e Viana nele próprio compensou.

Toda a campanha no campeonato foi concebida para atingir aquele alvo pré-definido. Acontece que os múltiplos fatores de uma época inédita na história do futebol (não há hipótese de a comparar com qualquer outra porque nunca vivemos uma situação destas) foram aproveitados de uma forma extremamente competente por Amorim. E tão competente que atirou o Sporting para uma efetiva discussão do título. Para ganhar. Contas feitas, ainda tem direito a um bónus: o campeão será cabeça-de-série no sorteio da Champions, o que dá sempre jeito por razões óbvias.

Depois há o resto. Ou seja, o alinhamento europeu das equipas portuguesas que, a menos que surja algo totalmente inesperado, deverá ter ficado decidido em função do empate do FC Porto na Luz, pelo que a posição dos cinco primeiros já não deverá sofrer alterações nas três rondas que faltam.

Os dragões só têm de manter a vantagem pontual sobre o Benfica e, como referi, não é previsível que seja o Farense a impedi-lo. Sérgio Conceição, pelo menos, deixará a equipa com os milhões da Champions garantidos, algo de que o FC Porto não pode abdicar em nenhuma circunstância.

Por outro lado, as águias dispõem de uma deslocação à Choupana que lhes permite deixar o terceiro lugar no bolso. É certo que o Nacional navega num autêntico mar do desespero (são quem corre maior risco de descida), mas Jorge Jesus quer colocar de imediato um ponto final na questão do campeonato para se centrar na final da Taça de Portugal, o tal título que ainda pode conquistar.

O Braga, após várias jornadas em que a Liga dos Campeões foi um sonho, acaba por ter a presença na Liga Europa resolvida. Também por isto, Carlos Carvalhal irá aproveitar estas três partidas que restam para preparar ao milímetro a final com o Benfica. Tal como Jesus, ele vai querer vencer no fecho da temporada.

À porta da novel Conference League está o Paços de Ferreira e poderá mesmo entrar após a receção ao Marítimo. Nada de surpreendente para uma equipa que foi uma das mais equilibradas da época. Caminho que também está ao alcance do Vitória de Guimarães, apesar dos altos e baixos de uma temporada longe do que pretendia.

Quente mesmo vai ser a ponta final na luta pela permanência. E nem vale a pena mandar palpites.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de