Um tapete, dois calendários e um orçamento

Rui Rio quis tirar o tapete a Paulo Rangel e até a António Costa. Não só propôs alterar as eleições directas do PSD como se assumiu candidato a primeiro-ministro, caso o cenário de eleições antecipadas se torne real.

Tudo depende se a crise política é, para já, uma encenação ou não. Rio apostou tudo, tentou assegurar o seu lugar e virar o jogo a seu favor, mas não correu bem.

No Conselho Nacional do PSD, esta quinta-feira, só 40 conselheiros estiveram a seu lado e 71 manifestaram-se contra. A proposta de Rio foi chumbada e, pior, muitos militantes consideraram estas movimentações do atual líder uma espécie de golpe palaciano.

Rio perdeu terreno dentro das bases quando decidiu adiar, sine die, o anúncio da sua recandidatura à liderança do PSD. Poderia tê-lo feito quando puxou a si a vitória de Carlos Moedas, em Lisboa, ou de José Manuel Silva, em Coimbra. Mas não. Tardou e a demora paga um preço alto em política.

Enquanto o PSD mergulha agora nas suas feridas internas, e ao mesmo tempo ouve atento as palavras do novo candidato à liderança, Paulo Rangel (que ontem ao final da tarde formalizou a sua candidatura), António Costa desdramatiza, fala em humildade nas negociações com a esquerda para o orçamento do Estado de 2022 e controla, nas suas mãos, o calendário político.

Se for para eleições antecipadas está preparado e o PS pode até sair reforçado. Se não for, fica até 2023 e ainda se arrisca a disputar um terceiro mandato.

Nesse tempo, que corre a seu favor, aguarda - confortavelmente instalado num cadeirão em São Bento - que importantes lugares nas instituições europeias fiquem disponíveis lá para meados desta década. Mais um calendário que lhe é favorável.

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