Uma campanha errática

Ainda durante os debates, António Costa começou por dizer que tinha "perdido a confiança" na geringonça e nos seus parceiros. Foi cáustico com Jerónimo de Sousa. Fulminou, até com o olhar, Catarina Martins. E acusou o Bloco de Esquerda de desde 2020 ter abandonado o PS.

Geringonça fechada. Assunto arrumado.

Na semana seguinte, perdeu o medo que o PS tem, desde 1985, da expressão "maioria absoluta". E pediu essa maioria, precisamente porque já não contava com os parceiros à esquerda. O discurso da maioria absoluta durou poucos dias. As sondagens nunca mostraram que essa maioria seria possível. Costa mudou de estratégia. Acenou ao PAN - lembrando que tinha sido o único partido a recusar o chumbo do Orçamento - e piscou o olho ao Livre. Começou a falar-se numa ecogeringonça, uma nova fórmula de governação. Nas contas de Costa parece ter estado a ideia de que, estando a poucos deputados da maioria, com os eleitos do Livre e do PAN era possível fazer um governo à esquerda, mas sem a esquerda da geringonça.

Dias depois, surge Costa, mais desamparado. Se a ecogeringonça não funcionar, promete governar «à Guterres». Dia a dia, diploma a diploma, caso a caso, acordo a acordo. Prometer governar da forma que levou o país para o «pântano» não parece ser uma ideia de futuro, otimista, de esperança e de mobilização.

Deixou cair, entretanto, a governação "à Guterres" e, na última semana, tornou-se, outra vez, o mestre do diálogo. Está disponível para dialogar com todos, menos com o Chega. Seis anos depois de, consecutivamente, ter negado qualquer diálogo com o PSD, na fase final o secretário-geral do PS diz que, agora depois de dia 30, pode falar com o PSD.

Com as sondagens taco a taco, sem definição clara de quem poderá ser o vencedor, Costa adaptou o discurso às circunstâncias, mas não definiu, nunca, um caminho. O caminho.

Dia 30, como sempre, serão os eleitores a ter a última e decisiva palavra.

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