Uma chave para o campeonato

Há quem já lhe chame o jogo do título, embora talvez fosse melhor designá-lo como um jogo para o título. Seja como for, dê no que der, o clássico do Dragão vai ser crucial para ajudar à definição do próximo campeão. Tornou-se numa partida chave no campeonato.

O Sporting tem aqui uma oportunidade única, em muitos anos, de dar o grande salto para caminhar rumo a uma conquista que lhe escapa há quase duas décadas. Dispõe da invejável vantagem de dez pontos sobre o FC Porto, quando já ficaram para trás 20 jornadas, pelo que pode dizer-se que os leões estão num patamar que vai muito para lá de uma simples "pole position".

Pondo de lado a alergia que Ruben Amorim e todos os responsáveis leoninos têm em falar de "título", o facto é que o Sporting fica com o pássaro nas duas mãos se, pelo menos, impedir os dragões de se aproximarem mais. Um triunfo (que acabaria com as ressalvas de uma vez) ou um empate servem perfeitamente os interesses de Alvalade, pois ninguém está a ver como uma equipa imbatível à entrada do último terço do campeonato poderia falhar o objetivo.

Logo, é notório que este jogo é muito mais determinante para o FC Porto. Se não vencer resta-lhe esperar por um milagre. Ora, como ficar dependente de uma intervenção divina não será a melhor opção, ganhar é a derradeira solução para alimentar alguma esperança numa reviravolta. Nas últimas duas épocas a diferença de sete pontos não foi impedimento para Benfica, primeiro, e FC Porto, depois, recuperarem e terminarem em primeiro. E é exatamente isto que os dragões acreditam ser possível outra vez. Em caso de triunfo nesta ronda, bem entendido.

Ainda assim, mesmo com uma derrota, o Sporting continuaria com um avanço importante, embora precisasse de se aplicar mais algumas jornadas até estar a salvo de qualquer problema. Tudo depende da reação emocional a um desaire, se bem que das duas vezes em que falhou, sendo eliminado da Liga Europa e da Taça de Portugal, o clube de Alvalade não vacilou a seguir.

Tanto Sérgio Conceição como Ruben Amorim podem recorrer a praticamente todas as suas peças prioritárias (Paulinho é a exceção nos leões), além de que um e outro dispuseram do tempo suficiente para preparar o embate com os cuidados e a atenção exigíveis. Também por isto não vale a pena falar de favoritismos, trata-se simplesmente de ver como cada lado lidará melhor com as incidências da partida no terreno, em primeira instância, e no banco em função das alternativas a que o desafio obrigar.

Depois do clássico entram em cena Braga e Benfica, acabados de sair da Liga Europa como era plausível face aos desfechos da primeira mão. Quando jogarem já saberão o resultado do clássico, o que lhes deixará um quadro de referência, embora - e sobre isto não há volta a dar - estejam obrigados a vencer (Nacional e Rio Ave) se quiserem continuar na discussão de um lugar de acesso à Liga dos Campeões, o segundo (de preferência) ou o terceiro.

O Braga - que, por sinal, terá o FC Porto pela frente a meio da semana para decidir quem segue para a final da Taça de Portugal - é, apesar de tudo, aquele que tem menor pressão, quando comparado com o Benfica. Só pretende continuar a somar pontos e, depois, logo se vê. Já as águias, que se assumiram como as grandes candidatas a tudo e mais alguma coisa, com um investimento nunca visto numa só época, estão a viver uma autêntica encruzilhada. E das piores.

O problema, nesta altura, já nem é exatamente o desafio com os vila-condenses. É algo bastante mais vasto que se prende com um adeus prematuro ao título (15 pontos de distância para o líder, nesta altura, eram impensáveis) e que surge na sequência de uma época em que está tudo a correr mal. Não houve entrada na Champions, não houve conquista da Supertaça, não houve triunfo na Taça da Liga, não houve final na Liga Europa.

Agora, a justificação está assente, segundo Jorge Jesus, no surto de Covid-19 que terá impedido a equipa de trabalhar. Como já aqui referi, o mês de janeiro foi realmente complicado para o Benfica. Simplesmente, nem o técnico nem ninguém no clube explica o que tem isto a ver com o facto dos encarnados não terem conseguido ganhar um único jogo com maior grau de dificuldade desde o início da temporada, muito antes do surto "atacar" no princípio do ano.

Portanto, em resumo, aguardemos pelo duelo no Dragão. FC Porto e Sporting podem - e sabem - criar condições para um grande espetáculo. O futebol agradece.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de