Uma taça sem festa e uma seleção sem brilho

A seleção saiu de cena. Já não estávamos habituados a estes afastamentos prematuros. Lá voltamos aos assuntos domésticos, mas ainda sem campeonato. Há Taça, mas não há festa. Os pequenos recebem os grandes só para ver na televisão.

1 - Encerrada a caminhada da seleção nacional (já lá iremos), está de volta o futebol doméstico. Contudo, ainda sem campeonato. O arranjo do calendário abre a porta à Taça de Portugal, deixando às equipas que estão nas competições europeias o tempo necessário para reorganizar as tropas para os desafios da próxima semana. Sobretudo para estas.

Significa isto que Benfica, FC Porto e Braga vão, certamente, aproveitar a possibilidade para mudar profundamente os seus onzes, dando a hipótese a alguns jogadores pouco ou nada utilizados até agora para mostrarem serviço.

Aliás, é preciso relembrar que, daqui até final do ano, o número de jogos é muito elevado para aquelas equipas (Benfica e FC Porto, inclusive, têm uma Supertaça para decidir) pelo que a gestão dos respetivos plantéis tem mesmo de ser feita com especiais cuidados.
Como já aqui referi, este é também um período importante para o Sporting, precisamente porque o número de partidas a realizar é inferior. Fará uma por semana, com toda a diferença que isto implica. E que, por exemplo, nem sequer obriga a grandes poupanças nos desafios da Taça se assim o quiser.

Uma palavra mais para as equipas secundárias que vão receber as da Liga principal. A pandemia não vai permitir a tal "festa do futebol" tão marcante na Taça de Portugal. Desta vez, a "festa" resume-se a ver os jogos na televisão. Para as finanças dos pequenos clubes é mesmo a única receita que lhes sobra. Talvez seja uma boa altura para se perceber que há quem tenha vidas muito mais complicadas do que as dos clubes "maioritários".

2 - Agora que terminou, prematuramente, a campanha portuguesa na Liga das Nações, talvez seja tempo de olharmos para algo que começou bem e acabou mal. Entenda-se, terminou com Portugal fora da "final four".

Perdeu-se, assim, a oportunidade de defender um título que tinha sido conquistado com brilho na primeira edição da prova. E, mais ainda, foi interrompido um percurso notável de presenças em fases finais de grandes competições, porque desde 2000 que não falhávamos uma. Custa um bocado, é verdade, mas convém não dramatizar em demasia.

Aqui só há acesso para quatro seleções e, na Europa, há certamente uma dezena com boas qualidades para tal. Mas não cabem todas, claro, e ao vermos França, campeã do Mundo, Espanha, Itália e Bélgica percebemos que nada existe neste lote que nos deixe espantados. E, já agora, repare-se que os "vices" de cada grupo foram Portugal, Alemanha (ainda em estado de choque nesta altura, calcula-se), Holanda e Dinamarca (com os mesmos pontos da Inglaterra). Quer dizer, se fosse uma "final eight", como sucedeu na última Champions, seria uma fase final de luxo.

No entanto, não sendo um drama, também não deixa de levantar algumas interrogações e, até, preocupações. Porque as coisas correram dentro do plano previamente traçado (incluindo o jogo de Paris), até ao duelo decisivo com os franceses, na Luz. Aqui é que vieram ao de cima as diferenças reais entre uma seleção que precisa de ganhar e sabe como fazê-lo e outra que tem a mesma missão mas nunca soube como chegar lá.

Como o último desafio, na Croácia, não ajudou a limpar a imagem, antes pelo contrário - apesar do triunfo, digamos, bizarro - Fernando Santos tratou de deixar claro que assim não pode ser. Portugal começa em março o apuramento para o Mundial e, de seguida, tem um Europeu para jogar, pelo que não pode, em qualquer das situações, permanecer nesta onda.

Neste ponto estamos todos de acordo. Mas se as críticas do selecionador aos jogadores fazem sentido - um campeão da Europa não pode ser "simpático", tem de assumir sem tibiezas que é ele quem manda -, também é uma boa oportunidade para o próprio Fernando Santos reanalisar a equação que construiu.

Bem sei que até à próxima convocatória muita água vai passar debaixo das pontes, só que o aproveitamento do enorme talento destes jogadores - sim, Portugal tem dos melhores conjuntos de jogadores do planeta - também terá de ser alvo de uma reflexão por parte de quem comanda. Acredito em Fernando Santos, porque quem conseguiu o que ele já fez merece todo o crédito. Sabe o que é preciso alterar, ou ajustar, para que a seleção recupere o pragmatismo do Europeu que ganhou e a beleza da Liga da Nações que venceu. Aí, voltaremos aos carris. É só o que pedimos, certo?

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