Voluntariado, reconhecimento e salário emocional

O voluntariado tem acompanhado a minha vida profissional a par e passo e constitui claramente a minha remuneração emocional.

Ontem, a propósito da clara necessidade de rever a lei que enquadra o exercício do voluntariado, o tema do custo e do pagamento veio à baila.

A lei precisa de resolver várias indefinições a que temos vindo a fugir. O âmbito, as áreas, as condições do exercício, os tipos de voluntariado e muitas outras coisas precisam de atualização, mas nada inibe um olhar rasgado, sobre o contributo para a ação e a sua apreciação.

A valorização desta atividade e o seu impacto económico ainda é um espaço de construção onde as opiniões se chocam sem conseguir fazer síntese, mas não há dúvida que o voluntariado é uma vantagem no combate às vulnerabilidades e de reforço na fragilidade social.

Talvez não seja fácil contabilizar, mas quantificar o benefício é um exercício que considero útil e importante. Hoje os problemas sociais são cada vez mais complexos e o recurso ao voluntariado pode ser determinante para a construção da solução.

O apoio social de proximidade é um trunfo para o conhecimento da realidade, para apoiar o diagnóstico dos problemas e para a identificação dos recursos do território. Na complexidade e na vulnerabilidade todos os recursos são necessários, mas devem ser utilizados em rede para que não se alimente a sobreposição, mas se reforce uma circularidade do benefício em favor da melhoria do bem-estar, qualidade de vida e da rentabilização dos recursos.

Sendo um recurso informal, o voluntariado tem na rede Caritas uma importância estratégica e decisiva, sobretudo quando se trata da resolução de problemas urgentes ou situações de crise. Ficou bem evidente o papel nesta última crise que ainda nos assola. Foi possível chegar a muitas pessoas e a muitas famílias. Num estudo feito pelo ISEG sobre a resposta da Caritas à crise social decorrente da Covid, identificaram-se dois tipos de soluções que foram colocadas ao dispor dos mais vulneráveis pelas equipas técnicas das Cáritas Diocesanas e pelos seus voluntários:

- soluções que procuraram adaptar os serviços oferecidos pela Rede Cáritas ao contexto pandémico usando práticas ou tecnologias novas ou que não tinham sido utilizadas anteriormente pela organização;

- soluções novas ou que não tinham sido utilizadas anteriormente pela Rede Cáritas para problemas organizacionais ou dos públicos-alvo que surgiram (ou foram intensificados) devido à pandemia

Concluiu esse estudo que:

- houve um forte crescimento no número de novos beneficiários em situação de privação imediata (alimentar e financeira);

- a Rede Cáritas em Portugal conseguiu assegurar as atividades de apoio alimentar e apoios pontuais que já desenvolvia, face a uma maior procura por parte das famílias;

- a rapidez da resposta da Cáritas mostra a sua importância em contexto de emergência;

Concordo que o salário emocional não vem no recibo de vencimento... Os voluntários também não têm vencimento..., mas valoriza a competência, o talento, o propósito, os resultados e o empenho.

Hoje acho que se justifica um agradecimento aos colabores e voluntários da Rede Cáritas em Portugal. Que este V. exercício aumente significativamente o V. FIB (indicador de Felicidade Interna Bruta), da mesma forma que aumenta o meu respeito por todos o que emprestam a sua disponibilidade, tempo e competência ao trabalho voluntário. Bem hajam.

Hoje é dia de eleições. Não deixe de votar.

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Feliz domingo

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