Votar: três lições e uma dúvida

A discussão sobre as possíveis soluções para o voto de eleitores infetados ou isolados arrasta-se, com a campanha eleitoral à porta. Poderemos pelo menos aprender alguma coisa com este debate?

Prestes a entrar em período oficial de campanha eleitoral, a diretora do Jornal de Notícias, Inês Cardoso, destaca o facto de ainda continuarmos "sem conhecer aquela que será a solução encontrada para assegurar que todos os cidadãos, incluindo aqueles que possam ficar infetados ou isolados em vésperas do ato eleitoral possam exercer o seu direito de voto".

A jornalista enumera três conclusões do debate dos últimos dias:

"A primeira é a total falta de capacidade de planeamento para solucionar um problema que era completamente previsível. Estas são as quartas eleições em pandemia e não apenas houve estes atos eleitorais em Portugal, como um pouco por toda a Europa, onde foram testadas várias soluções para garantir que cidadãos infetados votassem em segurança. Por outro lado, estamos em janeiro, que é um período de intensificação da circulação de um vírus que é sazonal e, mesmo antes de conhecermos as consequências da variante Ómicron, era previsível que estivéssemos com muitos casos de infeção e isolamentos".

"Uma segunda conclusão tem a ver com a dificuldade em nos adaptarmos à nova fase de gestão da doença, retirando um excesso de carga negativa de cima de doentes infetados com Covid-19. Um cidadão infetado não transporta a peste consigo e não é alguém que está impedido de fazer qualquer ato porque com isso irá ameaçar a saúde pública."

Para Inês Cardoso, "É possível protegermos quem está nas mesas de voto e é possível também criarmos canais que não cruzem infetados e não infetados, quer seja com horários diferenciados ou mesas de voto exclusivas". Por isso, para a diretora do JN, é preciso "perceber que cada vez mais, vamos ter de normalizar a vida pública, sobretudo em momentos excecionais como é o momento de voto".

A terceira conclusão da jornalista tem a ver com "as assimetrias regionais", que "se notam um pouco em tudo na nossa vida pública, mas até em algo que parece tão simples como é a logística de constituição de mesas de voto". Inês Cardoso recorda uma entrevista do Jornal de Notícias ao presidente da Câmara Municipal de Boticas, que desabafou: "No interior, já é difícil fazer uma mesa de voto".

Depois de enumeradas as conclusões sobre o tema do direito de voto nas eleições, a diretora do JN deixa uma interrogação que, para a própria, "só será desfeita no próximo dia 30 (de janeiro), quando virmos os índices de participação" nas eleições. "Pelo menos, todo este debate sobre o importância do voto e a importância de votar nos fará perceber a importância de individualmente exercermos este nosso direito e dever".

*Texto redigido por Clara Maria Oliveira

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