"A estratégia de tensão é suicida para o PS"

Antigo coordenador do Bloco de Esquerda é o convidado do "Às onze no Café de São Bento" desta semana.

Francisco Louçã não falou com António Costa, mas deixa um aviso ao amigo: "A precipitação do PS, a imagem de rasteira, deslealdade e de cinismo, tudo isso vai contra o que os portugueses exigem ao PCP, BE e ao PS, que é seriedade."

Louçã acha mesmo que "o PS quis fazer uma guerra" ao Bloco, "uma campanha baseada numa falsidade [sobre a taxa Robles] com um cálculo eleitoral." E marca a linha vermelha do partido que liderou:

"A estratégia de tensão é absurda, acho até que é suicida para o PS, é uma indicação de que o PS não quer [novo acordo]."

À conversa com a TSF, no "Às Onze no Café de São Bento", o conselheiro de Estado deixa também a estratégia ao seu partido: "É preciso jogar xadrez. E saber para onde vão as peças. E o Bloco deve ser a garantia do acordo." Leia-se, não deve dar pretextos a Costa para abrir uma crise, muito menos chumbar o Orçamento.

Louçã não quer fazer de Marcelo, o analista, mas admite que - ao dizer que não exigirá um novo acordo escrito para governar - o Presidente "está a dizer que aceitará um governo minoritário do PS e que é o que está à espera". Mas "não estamos no mesmo período [que viveu Guterres]", alerta Francisco Louçã.

"Se houver um governo de maioria relativa, como creio que haverá porque os seus eleitores têm medo de uma solução de maioria absoluta", a imprevisibilidade aumentará muito.

Para a esquerda será um desafio muito maior do que o desta legislatura, advoga. "Vai ser preciso um acordo muito mais robusto", "um patamar mais consistente" com a esquerda", diz Louçã. "É preciso um acordo mais sólido porque os próximos quatro anos vão ser diferentes, porque vamos ter uma situação económica muito mais difícil e, porventura, uma situação na União Europeia muito mais ameaçadora.

Só há razões para isso: há mudança no BCE [Draghi vai sair], não sabemos o que vai acontecer ao stock de dívida pública que está no banco, há tensões económicas que vão reduzir a capacidade de exportação portuguesa, será mais difícil a margem de manobra [para governar]".

Nesta conversa com Paulo Baldaia e David Dinis, Louçã fala de livros, cinema, fala claro do passado e do seu futuro. Deixando em aberto uma resposta sobre uma nova candidatura à Presidência. "Com franqueza, a esquerda terá um candidato, uma candidata, logo veremos. Eu acho que não está escrito no código genético de alguém que tem que ser duas vezes candidato. Logo vemos, estou mais preocupado com o orçamento, com o que se passa a Europa, com as eleições nos EUA. Há muito tempo pela frente".

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