António Costa mandou analisar relações familiares no Governo

No seio das polémicas ligações familiares no Executivo, o primeiro-ministro garantiu, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, que um problema ético seria "se alguém nomeasse um familiar". O dia chegou e levou à primeira demissão no Governo relacionada com o tema.

António Costa deu ordem para que se fizesse um diagnóstico exaustivo aos membros do Governo e respetivos gabinetes para perceber se havia mais casos do que os eram, até então, conhecidos publicamente, avançou o Observador .

O primeiro-ministro tinha como principal objetivo perceber se a linha que tinha sido estabelecida por si - quando disse à TSF/Dinheiro Vivo que só haveria "uma questão ética se alguém nomeasse um familiar" - tinha ou não sido ultrapassada. A resposta surgiu esta quarta-feira quando o Observador revelou que o secretário de Estado do Ambiente tinha nomeado um primo para adjunto.

O chefe do Executivo não queria enfrentar o debate quinzenal sem ter a certeza de que não havia casos de familiares a nomearem familiares, mas dirige-se esta tarde ao Parlamento com uma baixa no Governo: a demissão de Carlos Martins , que se seguiu à saída do seu adjunto e assessor.

A polémica das relações familiares no Governo não tem um fim à vista e a primeira demissão provocada é prova disso. Porém, esta saída do Executivo responde à linha traçada pelo primeiro-ministro.

Chegar ao Governo "por mérito próprio"

Em entrevista à TSF/Dinheiro Vivo, António Costa considerou que só haveria "uma questão ética se alguém nomeasse um familiar seu" e assegurou que, até ao momento, não tinha visto um "único exemplo de alguém que tenha nomeado um membro da sua própria família".

O primeiro-ministro deixou ainda claro que não tinha escolhido "ninguém para o Governo por ser filho, pai ou mulher de quem quer que seja", defendendo que todos estão nos cargos "por mérito próprio e não pela sua relação familiar".

Para António Costa, não há nenhum problema ético ou moral nas escolhas que todos os membros do Governo fizeram, tão pouco no "casting" que o próprio primeiro-ministro fez para o Executivo: "Não há em caso algum qualquer conflito de interesses, como ao longo dos últimos quatro anos se tem verificado", afiança, sublinhando que "esse problema nunca se colocou".

Já esta tarde, no debate quinzenal, o primeiro-ministro afirmou que o assunto das relações familiares no Governo "não é um elefante", mas tem extrema importância.

Como tal, Costa asseverou que vale a pena fazer uma reflexão profunda sobre o tema e perceber qual é a fronteira.

Apesar de se ter mostrado disponível para discutir o assunto, o chefe do Executivo lamentou que a questão das relações familiares tenha surgido nesta conjuntura. "Até aparece que está associado a um processo eleitoral", ironiza.

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