BE e PCP acusam a ministra do Mar de promover conflito com estivadores

Os parceiros do Governo na maioria parlamentar de esquerda põem em causa a competência da ministra Ana Paula Vitorino quanto à resolução do conflito entre os estivadores e as empresas portuárias.

O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) acusam a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, de ser incapaz de resolver o problema entre os estivadores precários e as empresas portuárias.

Esta manhã, durante o protesto dos estivadores do Porto de Setúbal , Manuel Heitor, deputado do Bloco de Esquerda, questionou a permanência de Ana Paula Vitorino no cargo. "Se a ministra não tem capacidade para resolver este problema, nós perguntamo-nos o que é que ela faz como ministra do Mar", disse Manuel Heitor.

Os trabalhadores precários do Porto de Setúbal estão em greve desde o dia 5 de novembro, em luta por um contrato coletivo de trabalho.

Esta quarta-feira, a ministra do Mar redigiu uma carta, dirigida à Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e à Comunidade Portuária de Setúbal, onde se junta à posição do sindicato e diz que as empresas recorrem demasiado aos trabalhadores precários.

Ana Paula Vitorino apelou mesmo à APSS e ao IMT que avaliem o funcionamento das empresas em causa, ameaçando com a "caducidade" do licenciamento.

"[A ministra] está a revelar completa incapacidade na gestão deste conflito em que o Governo se envolveu diretamente", criticou o deputado. "Em vez de assumir a responsabilidade de ir até ao fim (...) e procurar promover a negociação direta entre o sindicato e os empregadores, opta por uma atitude completamente absurda que é a de promover o conflito."

Também o PCP acompanhou no local, esta manhã, o protesto dos estivadores - que contestaram a contratação de trabalhadores substitutos para carregar navios durante a paralisação.

O deputado comunista Bruno Dias afirmou a sua solidariedade com "a luta" dos estivadores, e assumiu a posição de "exigência crítica" do partido, deixando críticas ao Governo. "Em vez de dialogar e resolver o problema, simplesmente, remetem para uma substituição que não pode deixar de merecer o nosso mais vivo repúdio", declarou.

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