BE vai requerer audição parlamentar da administração e trabalhadores da Ryanair

Bloco de Esquerda considera intolerável que a empresa invoque a origem irlandesa para não respeitar a legislação em Portugal.

O BE anunciou este domingo que vai requer a audição no parlamento dos trabalhadores e da administração da companhia aérea Ryanair, considerando intolerável que a empresa invoque a origem irlandesa para não respeitar a legislação em Portugal.

O requerimento será entregue na Assembleia da República durante a próxima semana, com o pedido de audição urgente a ser extensível à Autoridade para as Condições do Trabalho, disse à TSF o deputado bloquista Heitor de Sousa.

Para Heitor de Sousa, "esta situação é preocupante, completamente ilegal e uma autêntica provocação ao país. É um absurdo uma empresa operar no país e não respeitar a legalidade desse país".

O BE reagia, deste modo, à forma como está a decorrer a paralisação dos tripulantes de cabina portugueses da Ryanair, à qual o sindicato do setor apontou irregularidades por parte da transportadora, como a violação do direito à greve.

Os tripulantes de cabina portugueses da companhia aérea irlandesa entraram este domingo em greve pelo segundo dia não consecutivo.

A paralisação de três dias, que termina na quarta-feira, visa exigir que a transportadora aplique a legislação nacional, nomeadamente em termos de gozo da licença de parentalidade, garantia de ordenado mínimo e a retirada de processos disciplinares por motivo de baixas médicas ou vendas a bordo abaixo das metas da empresa.

De acordo com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, a companhia está a substituir os grevistas portugueses recorrendo a outras bases europeias.

O mesmo sindicato avançou que a operadora está a contactar tripulantes na Europa para substituírem os grevistas portugueses, chegando inclusivamente a ameaças de despedimento, acusação que a Ryanair se escusou a comentar.

Num memorando enviado aos trabalhadores, a que a Lusa teve acesso, a Ryanair admitiu ter recorrido a voluntários e a tripulação estrangeira durante a greve dos tripulantes portugueses.

A Autoridade para as Condições de Trabalho anunciou que desencadeou uma inspeção na Ryanair em Portugal para avaliar as irregularidades apontadas pelo sindicato.

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