Bloco de Esquerda reforça a pressão sobre o governo

Para além da moção de Catarina Martins, há já outras três. Numa coisa, estão de acordo: os socialistas vão acabar por ceder a Bruxelas e o BE vai ter de sair do acordo das esquerdas.

A jornalista Dora Pires resume os argumentos das 3 moções

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Há mais Bloco de Esquerda para além deste que apoia o PS e, sobretudo, tem de haver um Bloco maior depois deste período. Numa coisa as 3 moções estão de acordo: os socialistas vão acabar por ceder a Bruxelas e ao peso da dívida pública, o Bloco vai ter de sair do acordo de incidência parlamentar, porque o regresso aos tempos de austeridade é inevitável.

Até lá, é aproveitar; criar raízes, alargar bases e fortalecer a estratégia.

A Radicalidade de Reinventar a Política é a Moção D. Acha que é preciso coragem para discutir de novo o sistema produtivo, a propriedade coletiva e a planificação da economia. Este é também o texto que leva mais longe o plano de nacionalizações: água, luz, transportes e infraestruturas, correios, telecomunicações, lixos e até a grande distribuição de bens essenciais. No campo social, defende 700 euros de salário mínimo ou a reforma aos 62 anos.

A Moção D não está sozinha quando pede menos centralismo no Bloco, é no entanto a única que pede a divulgação pública dos rendimentos dos funcionários do partido, bem como de todas as contribuições para os cofres do Bloco.

A Moção R dá pelo nome de Bloco+. O texto louva o trio feminino (Catarina Martins, Marisa Matias, Mariana Mortágua) que deu a volta ao Bloco e o trouxe à ribalta onde está hoje. Os ricos que paguem a crise é o lema para a reforma da fiscalidade, mas na política externa, por exemplo, é mais comedida: defende a permanência de Portugal na UE e no euro porque - diz - sair seria ainda pior para os trabalhadores.

Mais Bloco para Enfrentar Tempos Novos, o tema da Moção R que tem 26 assinaturas. Exige que se aproveite o momento de alta com reforço das estruturas locais do Bloco e uma aposta no interior do país onde o partido é mais fraco. A grande aposta, lê-se, devem ser as próximas eleições autárquicas, em 2017. Sozinho, aliados à esquerda ou ligados a independentes, o que interessa é crescer.

A Moção R ainda aposta na semana de trabalho de 32 horas "para dividir o trabalho pelos braços disponíveis" e na reconversão para fins sociais de estruturas industriais e comerciais desativadas, nem que seja através da expropriação.

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