Catarina Martins diz que perda da maioria absoluta do PS em Lisboa abre portas

A coordenadora do Bloco de Esquerda frisou ainda que, da parte do partido, os resultados das autárquicas não vão interferir nas negociações do Orçamento do Estado.

Catarina Martins diz que acordou com melhores notícias, com o resultado do Bloco de Esquerda a revelar-se melhor do que parecia domingo à noite.

A coordenadora do Bloco de Esquerda destacou a perda da maioria absoluta do PS em Lisboa e abriu a porta a um acordo neste município, adiantando que o assunto será discutido na terça-feira em Comissão Política.

Catarina Martins falava aos jornalistas na Sala das Bicas do Palácio de Belém, em Lisboa, após uma reunião do BE com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em que também participaram os dirigentes bloquistas Pedro Filipe Soares e José Manuel Pureza.

Questionada se os resultados das autárquicas poderão ter efeitos na negociação do Orçamento do Estado para 2018 e no relacionamento com o PS, respondeu: "Pela parte do BE, não. Dissemo-lo antes das eleições, continuamos a dizê-lo".

"O BE, sabem, tem uma presença modesta nas autarquias. Ainda assim, crescemos nestas eleições e tivemos esta manhã melhores notícias do que tínhamos tido ontem [domingo] à noite", declarou, sublinhando o facto de o PS não ter conseguido maioria absoluta na Câmara Municipal de Lisboa.

Catarina Martins afirmou que, assim, "o BE alcançou o objetivo não só de eleger um vereador, como de ter uma situação política nova na Câmara de Lisboa" e abriu a porta a um acordo para "um governo mais exigente da cidade".

Durante a campanha, o BE defendeu "que as maiorias absolutas do PS em Lisboa tinham impedido uma governação da cidade que respondesse por direitos tão fundamentais da população como a habitação, os transportes e questões da democracia como a transparência", referiu.

"Alcançámos o objetivo, veremos agora. Teremos tempo", acrescentou, adiantando que a Comissão Política do BE vai reunir-se na terça-feira à noite para "debater estas matérias e outras".

Catarina Martins ressalvou, no entanto, que este não foi um tema abordado no encontro desta segunda-feira com o Presidente da República, que disse fazer parte das "reuniões regulares com os partidos sobre os temas da política nacional", como o Orçamento do Estado para 2018.

Sobre o Orçamento, a líder do BE lamentou que a discussão com o PS não tenha ficado fechada antes das eleições autárquicas.

"As negociações não avançaram, como o Bloco teria gostado que avançassem, antes do período eleitoral e, portanto, agora são retomadas, mantemos o trabalho. Assim é mais difícil do que se o tivéssemos feito antes, mas aqui estamos", disse.

Para o BE, o Orçamento para 2018 deve prosseguir "escolhas em nome dos rendimentos do trabalho e em nome dos serviços públicos".

Entre outras reivindicações, Catarina Martins mencionou o "alívio do IRS, nomeadamente tornando-o mais progressivo", e o "descongelamento de carreiras na função pública".

Quanto às pensões, a coordenadora do BE insistiu que é preciso "acabar com o fator de sustentabilidade para quem tem 40 anos de trabalho e 60 anos de idade" e "discutir também a atualização, o aumento das pensões no ano de 2018".

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