Catarina Martins pede rapidez na chegada de auditoria sobre CGD à AR e recusa "hipocrisia"

Líder bloquista refuta acusações de Rui Rio e acusa PSD de apenas querer conhecer a lista de devedores da Caixa-Geral de Depósitos.

A líder do Bloco de Esquerda recusa as acusações de "hipocrisia" que Rui Rio fez aos partidos de esquerda na sequência da auditoria forense, feita pela consultora EY à CGD, na qual se ficou a saber que várias operações de concessão de crédito da CGD foram concedidas apesar das análises de risco terem emitido pareceres desfavoráveis.

Catarina Martins considera que a forma como esta auditoria - que revelou que as operações levaram a perdas de mais de mil milhões de euros para o banco público - foi conhecida, mas pede, tal como Rui Rio, um esclarecimento da situação. No que diz respeito à acusação de "hipocrisia" do presidente do PSD, a líder bloquista acusa os sociais-democratas de só quererem conhecer os devedores da Caixa.

A líder bloquista foi perentória: "nós participamos em duas comissões de inquérito à CGD, portanto ninguém pode dizer que foi impedida qualquer comissão de inquérito. julgo que isso é falta de informação".

"Como sabem, o PSD inicialmente tentou que só fossem conhecidos os devedores da CGD, mas na verdade os contribuintes portugueses também pagaram o BCP, o BPN, o Banif, o BES e portanto o que nós dizemos é que todos os bancos precisam de prestar contas, os devedores de todos esses bancos", lembrou.

Questionada sobre se não foi estranho que este relatório tenha sido conhecido através de um órgão de comunicação social e que não tenha chegado antes ao parlamento, a líder do BE concordou com esta ideia. Agora, espera que o relatório da auditoria da EY à Caixa Geral de Depósitos (CGD) "chegue ao parlamento o mais depressa possível".

"Já pedimos o relatório. Esperemos que ele chegue ao parlamento o mais depressa possível", adiantou Catarina Martins, justificando não conhecer o documento, sendo importante que este possa ser entregue aos deputados.

O BE, segundo a líder do partido, "empenhou-se muito para que as listas de devedores de todos os bancos que tiveram intervenção pública" fossem "entregues ao parlamento, não só da Caixa, mas de todos os bancos".

"Lutamos por ela [informação] porque quem andou a pagar os desaires na banca - e não foi só a CGD - temos que ter conhecimento de tudo o que aconteceu", insistiu, reiterando que aguarda que "todos os documentos cheguem ao parlamento".

O Governo quer que a administração da Caixa Geral de Depósitos tome "todas as diligências necessárias para apurar quaisquer responsabilidades" nos atos detetados pela auditoria da EY e adote as "medidas adequadas" para defender o património do banco.

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