"Isto atingiu um patamar de tal ordem que vão todos demitir-se? São tantos!"

Rui Rio e Assunção Cristas defenderam demissões na sequência da polémica das relações familiares no Governo.

Rui Rio defendeu esta quarta-feira a demissão de Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente, se deve demitir depois de ter convidado o primo, Armindo dos Santos Alves, para seu secretário adjunto.

Até agora o líder do partido não era categórico - disse esta quarta-feira que "não é por se demitir um, ou dois ou três que altera o que quer que seja" - mas depois deo líder parlamentar do PSD e a líder do CDS terem exigido a demissão mudou de tom.

"No caso do secretário de Estado do Ambiente é lógico que a responsabilidade é do secretário de Estado que nomeou e não do primo que foi nomeado", defendeu Rui Rio esta quinta-feira.

"Quando temos um Governo que em vez de nomear as pessoas por competência nomeia as pessoas por laços familiares ou amizades isto fragiliza a confiança que os portugueses têm no Governo", defende Rui Rio.

"Eu defendo as demissões, se olhar para cada caso isoladamente", disse. Cabe a António Costa resolver o imbróglio.

O líder social-democrata não consegue antecipar qual vai ser a decisão do primeiro-ministro. Se estivesse no lugar de António Costa, assegurou, "não nomeava familiares nem fomentava a nomeação de familiares ou da família partidária".

Jobs for the family

Em entrevista à RTP3, Fernando Negrão diz que, neste caso, não há margem para dúvidas.

"O secretário de Estado devia demitir-se. Fez uma coisa que não devia ter feito: convidou um familiar próximo para um lugar", condenou.

O líder parlamentar do PSD sublinha ainda que a atitude de António Costa face à polémica das relações familiares no Governo não tem sido a melhor quando "desculpabiliza" a situação.

Para Fernando Negrão, todos os partidos deviam pensar na mesma linha: "esta é uma matéria de natureza ética e a ética tem de ser cumprida".

Demissão e já

Também a líder centrista, Assunção Cristas, defendeu a saída de Carlos Martins.

"Eu creio que o Governo tem de fazer uma reflexão muito profunda, e o primeiro-ministro tem de fazer uma reflexão muito profunda sobre aquilo que se está a passar, e a perceção que cria cá para fora", disse a centrista aos jornalistas.

Armindo dos Santos Alves foi nomeado para o cargo de adjunto do secretário de Estado do Ambiente em setembro de 2016. Demitiu-se esta quarta-feira , confrontado com a polémica em torno das várias ligações familiares no Executivo.

Fonte do Ministério garantiu à TSF que o ministro do Ambiente não sabia da existência da relação familiar. Armindo dos Santos Alves foi escolhido "de boa-fé, com base nas suas competências profissionais".

Num esclarecimento enviado à TSF, a mesma fonte fez notar que a demissão ocorreu "quando o primeiro-ministro traçou uma linha vermelha em relação às nomeações de familiares por membros do governo", na entrevista que deu à TSF e ao Dinheiro Vivo.

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