Paulo Macedo entregou auditoria à CGD no parlamento. Mas não está completa

Versão preliminar do documento revelou que foram concedidos créditos de forma mal fundamentada. Documento entregue esta sexta-feira deixa de fora os nomes dos devedores.

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, entregou esta tarde na Assembleia da República a auditoria à gestão do banco público feita pela EY.

Paulo Macedo entregou o documento à presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, Teresa Leal Coelho, pouco depois das 14h30. Decorre, durante a tarde, uma reunião entre ambos.

A auditoria completa não foi entregue, uma vez que o sigilo bancário foi salvaguardado em relação aos nomes daqueles que contraíram empréstimos ao banco e nunca pagaram. O documento está, portanto, truncado mas Paulo Macedo garante que a lei está a ser cumprida.

"Nos termos definidos pelo Ministério Público e pelo Banco de Portugal, é entregue salvaguardando o segredo bancário e o segredo profissional", explicou o presidente do banco público.

A entrega da auditoria esta sexta-feira no parlamento surge depois de, na semana passada, ter sido divulgada uma versão preliminar do documento, datada de dezembro de 2017, que fez estalar a polémica devido à concessão de créditos mal fundamentada, atribuição de bónus aos gestores com resultados negativos, interferência do Estado e aprovação de empréstimos com parecer desfavorável ou condicionado da direção de risco da CGD.

Segundo o documento, administradores da CGD receberam "remuneração variável" e "voto de confiança", mesmo em anos com resultados negativos.

Perante este cenário, Paulo Macedo admite que este caso prejudica não só os clientes, mas também a própria CGD. "O interesse da instituição é, por um lado, de clarificar as coisas e de deixar esta mancha de suspeição. Mas também há um dano dos colaboradores da caixa e do seu negócio", lembrou.

A administração da CGD recusou, por duas vezes, a entrega do relatório à AR, num primeiro momento invocando sigilo bancário e, numa segunda vez, invocando o segredo de justiça. Agora, com o documento nas mãos, Teresa Leal Coelho mostrou-se satisfeita e disse acreditar que o facto de o documento não trazer os nomes vai resolver-se em breve.

"Muito provavelmente, já na próxima terça-feira, será remetida ao senhor Presidente da República a lei que nos permite ter acesso aos grandes devedores. De acordo com aquilo que o Presidente da República já disse muitas vezes, irá promulgar de imediato essa lei", permitindo assim o acesso a esses nomes.

A 9 de janeiro, a comissão parlamentar anunciou que iria pedir à PGR o acesso ao relatório da auditoria feita à gestão da CGD entre 2000 e 2015, depois de o banco público ter recusado pela segunda vez o acesso.

Esta semana, o Ministério Público informou "nada ter a opor" que a CGD disponibilizasse ao parlamento a auditoria.

CDS-PP, PSD, PS e BE chegaram a acordo para um texto comum sobre o objeto da futura comissão parlamentar de inquérito à CGD, partindo de uma proposta inicial dos democratas-cristãos.

Leia mais:

- Relatório da auditoria à CGD já foi divulgado. Consulte aqui

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