CGD: PSD e CDS querem esclarecer contratação, gestão e saída de Domingues

O objeto da nova Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD), apresentada por PSD e CDS-PP, será apreciar a contratação, gestão e saída do anterior presidente do banco público.

De acordo com o requerimento apresentado esta sexta-feira, são três as alíneas que os deputados querem ver esclarecidas, todas em torno da anterior administração da CGD, sem referência direta às comunicações entre António Domingues e o ministro das Finanças, Mário Centeno.

"Apreciar as negociações, direta ou indiretamente conduzidas pelo Governo, as condições e os termos de contratação da administração do dr. António Domingues para a CGD" é a primeira alínea do objeto da comissão, que quer ainda "apreciar a intervenção e responsabilidade do XXI Governo pela gestão da administração liderada pelo dr. António Domingues".

No texto da proposta, centristas e social-democratas identificam ainda como objeto da comissão de inquérito a apreciação dos "factos que conduziram à demissão" do ex-presidente da Caixa e "à saída da administração por si liderada".

Rejeição de Ferro Rodrigues "não teria suporte legal ou constitucional"

Durante a apresentação do requerimento que propõe a constituição da comissão de inquérito, PSD e CDS-PP nem sequer admitiram que o inicio dos trabalhos possa ser travado por Ferro Rodrigues.

"Não quero sequer admitir essa hipótese de esta iniciativa poder ter qualquer tipo de rejeição do Presidente da Assembleia da República, não teria qualquer cobertura legal ou constitucional", disse o líder parlamentar do PSD.

Depois de apresentado, o requerimento dá entrada na mesa da Assembleia da República, é distribuído a todos os grupos parlamentares e, de seguida, é enviado a Ferro Rodrigues.

SMS não fazem parte da proposta, mas são possibilidade

"Àqueles que consideram que o objeto desta comissão se circunscreve a bisbilhotar comunicações entre António Domingues e o Ministério das Finanças, nós respondemos de uma forma muito clara: a verdade não é um problema de bisbilhotice", disse ainda Luís Montenegro, que acusou a maioria de querer "desviar as atenções".

Questionado sobre se a troca de correspondência entre António Domingues e Mário Centeno ia ou não ser pedida no âmbito da comissão de inquérito, o líder da bancada do PSD admitiu que, no entender de social-democratas e centristas, tudo está em aberto.

"Acho que é expectável que a comissão possa ter acesso àquilo a que já acedeu o primeiro-ministro, o Presidente da República e que já veio nas páginas dos jornais", acrescentou, salientando que, caso seja necessário, também o primeiro-ministro, António Costa, será chamado para uma audição, caso PSD e CDS-PP sejam "forçados pelas circunstâncias e pela falta de esclarecimento cabal".

Patrocinado

Apoio de