Chineses e a OPA à EDP? "É o mercado a funcionar", diz Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa não antevê nenhum problema com o investimento chinês na EDP. No primeiro dia da visita oficial à China, o Presidente abordou o tema da OPA à elétrica nacional e do grupo China Three Gorges.

No primeiro ponto da agenda, em plena Muralha da China, símbolo do poderio militar de outros tempos, o Presidente português abordou a presença chinesa na elétrica nacional, afirmando que a mesma se resume ao funcionamento do mercado.

"Não há intervenção dos Estados [português e chinês], não houve sequer intervenção dos reguladores. Portanto, o mercado funciona nos termos em que deve funcionar. Quem intervém num quadro como o da economia portuguesa e da economia europeia sabe que funciona naturalmente", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado sobre se a queda da OPA (oferta pública de aquisição) à empresa elétrica poderá colocar em causa o investimento do grupo China Three Gorges na EDP, o Presidente da República respondeu negativamente: "Não me parece, não há sinais nenhuns nesse sentido."

Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda a necessidade de aumentar as relações económicas e políticas entre Portugal e a China, sublinhando a importância de mais exportações portuguesas para aquele país.

"Apostar em mais investimento chinês no terreno é muito importante. Mais relações económicas, no sentido de mais exportações portuguesas, em domínios em que Portugal tem aptidão. Já arrancámos no agroalimentar: a carne de porco foi um exemplo, ao fim de oito anos, de que houve um triunfo das negociações bilaterais. Mas há outras áreas e outros domínios em que é fundamental que as exportações portuguesas aumentem", disse.

O Presidente da República começa esta sexta-feira uma visita de seis dias à China, durante a qual será recebido pelo chefe de Estado chinês, Xi Jinping e pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. O primeiro ponto da viagem foi a visita à Grande Muralha da China.

Logo à noite, Marcelo Rebelo de Sousa estará num jantar de gala oferecido pelo Presidente da China aos líderes estrangeiros participantes no fórum "Faixa e Rota", no Grande Palácio do Povo.

Na segunda edição deste fórum irão ainda participar os chefes de Estado ou de Governo de outros 36 países. Entre os participantes estão também o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Durante a visita à China, Marcelo Rebelo de Sousa terá também encontros com as principais empresas chinesas investidoras em Portugal, com exportadores portugueses para o mercado chinês e com altas autoridades de Xangai e da Região Administrativa Especial de Macau - os outros dois pontos do seu itinerário.

O Presidente vai estar estar acompanhado por uma delegação parlamentar composta pelos deputados Adão Silva, do PSD, Filipe Neto Brandão, do PS, Telmo Correia, do CDS-PP, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, e por Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista "Os Verdes". Já o Bloco de Esquerda e o PAN rejeitaram estar presentes, justificando a decisão com a atual situação dos direitos humanos e das liberdades na China.

Já a comitiva do Governo é composta pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e pelo secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.

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