Costa assina contrato com amigo. Mas lamenta "dinheiro mal gasto"

Sob críticas, primeiro-ministro assina contrato com Lacerda Machado, para que represente o Estado em negociações sensíveis, diz Costa na entrevista TSF/DN. Mas contrariado.

Diogo Lacerda Machado é o "melhor amigo" de António Costa, assume o primeiro-ministro, e estava a representá-lo informalmente em várias negociações sensíveis que estão em curso. Foi assim na TAP, também no caso dos lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo, também no BPI, nas reuniões entre Isabel dos Santos e o La Caixa. Sob críticas do PSD, e também dos média, Costa acabou de assinar um contrato com Lacerda Machado para que este continue nessas reuniões, mas já como representante do Governo. O primeiro-ministro, mesmo assim, lamenta:

"Olhe, assinámos um contrato. As pessoas extraordinariamente achavam que não haver nenhuma despesa do Estado com o tempo dedicado pelo dr. Diogo Lacerda Machado..."

E não será melhor, mais transparente, mais responsabilizável esse representante do primeiro-ministro? À pergunta da TSF e DN, António Costa reage assim: "Acho simplesmente mais caro para o Estado. Acho simplesmente, devo dizer, dinheiro que podia não ser gasto. ele felizmente tem podido colaborar e continuará a colaborar, em diferentes dossiês onde a sua expertise negociar tem ajudado a resolver bastantes problemas".

A situação informal de Lacerda Machado foi alvo de fortes críticas do PSD, que o chamou até ao Parlamento pelo seu papel nas negociações que levaram à venda de 16% da TAP pelo novo acionista privado, fazendo com que o Estado ficasse com 50% da companhia aérea - e abrindo porta à entrada de capital chinês na empresa. O Público, na semana passada, dizia que essa empresa chinesa tinha relações formais com o empresário Stanley Ho, que Lacerda Machado representa.

Nas últimas semanas, Lacerda Machado apareceu também a representar Costa nas negociações do caso dos lesados do GES e no BPI, duas matérias onde o Estado não está diretamente envolvido, mas em que o primeiro-ministro se quis envolver.

Na entrevista, feita no Porto, na Cooperativa Árvore, Costa diz que só por "razões pessoais" Lacerda Machado não integrou o Governo. E garante que confia plenamente na sua capacidade para ajudar a desbloquear problemas.

Aqui a entrevista, na íntegra, a António Costa.

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