"O mesmo caminho" e com a "mesma companhia". É a resposta de Costa a BE e PCP

O primeiro-ministro considera que sem a atual solução governativa "não tínhamos estes resultados". Aos "bons alunos" PSD e CDS-PP, António Costa acenou com a estreia de Mário Centeno no Eurogrupo.

Quando se está bem acompanhado não se muda de companhia. Foi esta a mensagem deixada por António Costa durante o jantar que encerrou o primeiro dia das jornadas parlamentares do PS. Após a eleição de Rui Rio para a liderança dos social-democratas, muito se tem falado na hipótese de um futuro bloco central PS/PSD - e, este fim de semana, BE e PCP alertaram para os riscos dessa possibilidade -, mas, o primeiro-ministro garante que a prioridade é prosseguir com bloquistas e comunistas.

"Quando me perguntam, então o que vão fazer? Em primeiro lugar, quando se está no bom caminho, só há uma coisa a fazer: é não mudar de caminho. Quando se está bem acompanhado, o que é que se faz? Não se muda de companhia", afirmou António Costa, que, provocando alguns risos na plateia, defendeu que não será preciso fazer "nada de imaginativo"

Uma ideia aplaudida pela grande maioria dos militantes e simpatizantes socialistas que, em Coimbra, ouviram o secretário-geral do PS referir que o "primeiro objetivo" é "seguir o caminho iniciado há dois anos com a companhia com que o iniciámos há dois anos".

E, salientando que "todos estamos genericamente satisfeitos" com os resultados em áreas como a economia, as finanças públicas e o emprego, António Costa insistiu nos benefícios dos acordos à esquerda: "Sem esta maioria não tínhamos estas políticas e sem estas políticas não tínhamos estes resultados".

Ainda antes do discurso do líder do PS, o autarca de Coimbra e presidente da Associação Nacional de Municípios, Manuel Machado, tinha pedido, na sua curta intervenção, que o Governo prosseguisse com "determinação e empenho". Já Carlos César, líder parlamentar do PS, referiu que os socialistas devem estar "muitos orgulhosos do que já foi feito, mas muito ansiosos com o que está por fazer".

"Estamos insatisfeitos, apesar de estarmos muito orgulhosos com o Governo que temos", assinalou.

Os "bons alunos" PSD e CDS-PP vs. o "nosso ministro" Mário Centeno, que não é do PSD

Numa sala repleta de militantes e simpatizantes do PS, o primeiro-ministro sublinhou ainda que foi a atual solução governativa que "foi capaz de acabar com o dogma de que só três partidos podiam chegar ou influenciar o Governo", sublinhando que foi a "maioria de esquerda" que fez baixar o défice e que levou ao aumento do emprego ou do investimento privado.

Mas, sempre com a mira apontada ao PSD, António Costa foi mais longe e não esqueceu a estreia de Mário Centeno na presidência do Eurogrupo: "Provámos que tínhamos razão e que eles não tinham. Nós conseguimos resultados que eles não conseguiram. Eles bem andaram anos a dizer que eram o bom aluno, mas quem hoje quem presidiu ao Eurogrupo não foi um ministro do PSD, foi o nosso ministro Mário Centeno".

antecipou também alguns dos desafios que ainda restam: "mais crescimento, mais emprego e mais igualdade", "menos trabalho precário", a reforma da floresta, a descentralização e um "debate político alargado" sobre os fundos europeus.

As "reformas de fundo" passam pela descentralização e pela floresta

Têm sido dois temas dominantes nas intervenções de António Costa: o "pacote descentralização" e a "reforma da floresta". E, num dia em que os deputados socialistas investiram boa parte do tempo a visitar territórios atingidos pelos incêndios, o primeiro-ministro aproveitou para voltar a dar-lhes algum destaque.

"Se queremos mais transparência, temos que aproximar o poder dos cidadãos. Porque o poder que está mais próximo dos cidadãos é mais fiscalizado pelos cidadãos e, sendo mais fiscalizado pelos cidadãos, é mais transparente, e isso é condição para reforçar a confiança no funcionamento da democracia", disse, lembrando os "23 diplomas" que "disciplinam" a transferência de competências para os municípios e que continuam a aguardar acordo entre os partidos com assento parlamentar.

Nesse sentido, António Costa deixa um apelo dirigido àqueles que, durante as campanhas eleitorais, dizem que "não há nada melhor" do que os autarcas e do que as autarquias: "Que honrem agora a sua palavra e, na Assembleia da República, deem mais competências às freguesias e aos municípios", afirmou, depois de definir a atual sessão legislativa como o momento para fazer a reforma.

Quanto à reforma da floresta, o chefe de Governo defendeu que "os incêndios não se apagam quando a chama começa" e que é "hoje, que não há chama nenhuma" que é preciso "ordenar e limpar" a floresta, dando também início ao processo de cadastro florestal que "está por fazer".

"É fundamental que a reforma não fique no Diário da República. É fundamental que chegue ao terreno", insistiu.

As jornadas parlamentares do PS terminam esta terça-feira, em Coimbra, com debates sobre a transparência e a descentralização. Entre os oradores vão estar Guilherme d'Oliveira Martins, João Taborda da Gama ou o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

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