"Esta indiferença à morte não é normal"

Assunção Cristas diz que a forma como o Governo tem reagido aos incêndios ou ao surto de legionela, está a provocar nos portugueses uma indiferença à morte.

Estará o país a ficar insensível, perante tanta tragédia? A líder do CDS sente isso mesmo e recorda o dia em que as notícias davam um novo aumento do número de mortes provocadas pelo surto de legionela."As pessoas quase que aceitaram isso como uma coisa natural. Esta indiferença à morte não é normal e tem muito a ver com a forma como o próprio Governo vai reagindo", critica Assunção Cristas que acusa o governo de, perante as tragédias, agir "de forma errada, pouco sensível e pouco humana."

As críticas surgem no dia em que a líder do partido começa uma volta pelo país, para preparar o programa eleitoral do CDS às legislativas de 2019. Assunção Cristas acredita que a perceção do país sobre o governo mudou com as tragédias dos incêndios, do assalto a Tancos e agora com o surto de legionela: "O Governo tem falhado e demonstrado muita incompetência."

Esta terça-feira, o CDS inicia no Porto a primeira de 20 conferências "Ouvir Portugal", onde participam várias personalidades ligadas a áreas distintas da sociedade, para discutir o país. Em entrevista à TSF, Assunção Cristas assume que "a campanha eleitoral é um ato contínuo" e que não é impossível o CDS alcançar um resultado tão bom, quanto o que alcançou em Lisboa, nas últimas autárquicas. "Nós sabemos quais são os resultados do CDS mas queremos trabalhar para sermos a primeira escolha" explica Assunção Cristas, sem nunca baixar a fasquia. "Eu acredito que se nós trabalharmos, podemos conseguir um resultado igual ou melhor que o das últimas autárquicas".

"O voto útil acabou"

Mas será isso possível? Conseguir derrotar o Partido Socialista e as "esquerdas unidas", como Cristas gosta de lhes chamar? "Tudo é possível", assume a líder do CDS, sem ignorar que para alcançar o principal objetivo que é "construir uma alternativa de centro-direita às esquerdas unidas" é preciso a ajuda do PSD.

Sobre os sociais-democratas, Cristas abstém-se de fazer grandes comentários, limitando-se a assumir que os dois partidos são parceiros naturais. Mas, naquilo que pode ser encarado como um recado para os sociais-democratas, a líder do CDS lembra que "o voto útil acabou" e "nós queremos contribuir o mais possível para sermos parte mais sólida de uma alternativa centro-direita". Se o consegue, ou não, Assunção Cristas constata o óbvio: "Depende dos portugueses sentirem que há uma alternativa sólida do centro direita, que PSD e CDS estão disponíveis para terem um projeto comum".

Esse projeto, do lado do CDS, começa a ser desenhado nas 20 conferências que o partido vai organizar nos 18 distritos do país, passando pela Madeira e pelos Açores. Nesta primeira conferência, participa o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, que nas últimas autárquicas foi apoiado pelo CDS, apesar de nunca ter parecido, durante a campanha, ao lado de Assunção Cristas.

Desta vez, Rui Moreira e Assunção Cristas vão estar juntos em público, juntamente com o médico António Ferreira, Helena Freitas, professora universitária, Isabel Gil, reitora da Universidade Católica, Katty Xiomara, estilista, Luís Reis, da Sonae, Luís Vasconcelos e Sousa, presidente da Agromais, o maestro Rui Massena e Sebastião Lencastre, da empresa Easypay.

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