"Gosto de touradas, não tenho problema em assumi-lo"

Luís Montenegro considera que dizer que as touradas não são uma expressão cultural é "estigmatizar" a prática. "Há coisas que não se devem mudar só porque há uma conjuntura que permite essa mudança".

"Eu gosto de touradas", diz Luís Montenegro. Todas as temporadas o social-democrata vai a um ou dois espetáculos tauromáquicos e, diz, não tem "problema nenhum em assumi-lo".

No programa da TSF "Almoços Grátis, Luís Montenegro, que também se mostrou favorável ao "fenómeno da caça", manifestou-se "absolutamente contra se proibirem as touradas".

Apesar da "discordância profunda" com aqueles que defendem que a tauromaquia não é uma expressão cultural, a opinião pessoal não é o único argumento que leva Luís Montenegro a condenar a posição assumida pelo Governo no debate.

Ao excluir a tauromaquia da descida do IVA na Cultura, nas palavras da ministra da Cultura por "uma questão de civilização" , o Governo está a "estigmatizar" aquela que é uma "tradição muito enraizada" e que faz parte da vida dos portugueses em muitas localidades, defendeu.

"Está na liberdade dos cidadãos eleger uma cultura de tradições, de vida em sociedade", considera. Por isso, Luís Montenegro "revê-se" na opinião de Manuel Alegre em defesa das touradas, em prol da "liberdade de escolha".

Além disso, argumenta, "há coisas que não se devem mudar só porque há uma conjuntura que permite essa mudança". Encarar as coisas desta forma, aproveitando a posição de poder para fazer mudanças estruturais na cultura do país segundo determinadas ideologias, "é expressão de uma arrogância intelectual" dos partidos de esquerda.

"A democracia não é só a ditadura da maioria", até porque "as maiorias hoje são umas, amanhã são outras."

Se assim fosse, explica, durante o Governo do PS com apoio parlamentar da esquerda podia fazer-se uma lei contra as touradas, depois com uma nova maioria do PSD e/ou CDS e fazia-se uma lei a favor das touradas e assim sucessivamente, de acordo com cada ciclo político.

Já para António Costa fico rótulo do vira-casacas que vai "adotando a postura" conforme o que mais lhe convém: na carta aberta que escreveu a Manuel Alegre o primeiro-ministro confessa-se chocado com o facto de o serviço público de televisão transmitir touradas, no entanto em 2010, quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa, condecorou o forcado José Luís Gomes e assistiu à corrida de touros no Campo Pequeno.

"Pelas imagens vibrou", nota Luís Montenegro.

"É normal e saudável não ficarmos amarrados a determinado tipo de posições", defendeu Duarte Cordeiro, a substituir Carlos César, que esta semana não pode estar presente no programa "Almoços Grátis".

O vice-presidente da Câmara de Lisboa diz-se contra as touradas, que considera uma forma de crueldade contra os animais, mas defende que cabe a cada município decidir se proíbe ou não a prática a nível local .

Com Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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