"A tudo o que é relevante na vida política do país, ninguém liga absolutamente nada"

Pacheco Pereira, Jorge Coelho e António Lobo Xavier trocaram argumentos em torno da temática da nomeação de familiares por parte de detentores de cargos públicos.

A polémica em torno das nomeações de familiares de titulares de cargos públicos foi o tema central da edição desta semana da Circulatura do Quadrado.

Partindo das palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, que esta quinta-feira considerou que o escrutínio dos portugueses é agora maior e mais exigente, Pacheco Pereira disse discordar desta ideia. No entanto, considera que os portugueses reagem aos temas que são mais "fáceis".

"A tudo o que é relevante na vida política do país, ninguém liga absolutamente nada. Nem às Forças Armadas, nem às questões de soberania, nem às questões de segurança. Nem sequer às questões financeiras, nada. Não há nenhum aumento da exigência da opinião pública, é um argumento demagógico. O que há é outra coisa: todos os temas populistas - e chamo à atenção que o Presidente da República, quando era comentador, tinha especial apetência para temas desta natureza, teve sempre durante vários anos - todos os temas populistas são fáceis", atirou durante o programa com transmissão simultânea na TSF e TVI24.

Já Jorge Coelho considera que o PSD está a tentar aproveitar este caso para recuperar nas sondagens. "Não é só por haver campanha eleitoral, campanhas eleitorais há muitas. É o estado em que a candidatura do PSD se apresentou à campanha eleitoral. Com audiências do ponto de vista da perspetiva de voto muito em baixo, com uma crise interna muito complicada... Era preciso encontrar aqui um grande problema para tapar aquilo que de bom o Governo estava a fazer", explicou o antigo ministro socialista.

O dia fica marcado pela demissão de Carlos Martins, agora ex-secretário de Estado do Ambiente, que abandonou o cargo por ter nomeado um primo como adjunto. Lobo Xavier considera que esta demissão, à luz do que se passou quanto a este tema, há um dado novo: "No princípio o PS e o Governo desvalorizaram, ou procuraram desvalorizar e enroupar, com a justificação de que o que interessa é a competência e o valor intrínseco das pessoas. Creio que hoje, a política está muito volátil e depressa se percebeu que isto é uma coisa que indigna as pessoas."

No que diz respeito a leis que possam vir a permitir um maior e melhor controlo sobre estas questões, Lobo Xavier defende que, mais do que leis, é precisa autorregulação e bom senso.

"Deve haver um código, as pessoas devem sentir-se inibidas de fazer estes convites. Obviamente o primeiro-ministro não sabe de tudo, mas devia haver uma inibição geral de encher a estrutura governamental com familiares. Se não vai lá com autorregulação - como não vai em muitos aspetos dos deputados na Assembleia da República - talvez tenha de se fazer regras. Mas as regras sobre isto são impensáveis, são inimagináveis. As hipóteses são miríades. Preferia que os políticos, qualquer que fosse a sua cor, assumissem a autorregulação e o bom senso", defendeu.

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