Política

"Aqueles que discordam estruturalmente, devem sair do PSD"

Sem papas na língua, Rui Rio atira-se aos críticos internos e indica-lhes o caminho que Pedro Santana Lopes seguiu. Se discordam estruturalmente da linha da atual liderança, devem sair do PSD.

Rui Rio|

 foto Orlando Almeida / Global Imagens

O que é que não é bonito? "Ficar dentro do PSD a destruir o próprio partido". É assim, de forma lapidar, que Rui Rio contra-ataca os críticos internos. Já o tinha feito no discurso da festa de rentrée, do passado fim de semana, no Algarve. Mas agora, vai mais longe.

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Convidado do programa Bloco Central, da TSF - com Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva - Rui Rio avisa que "todos aqueles que discordam do ponto de vista estrutural" deviam "coerentemente sair". Até porque, na opinião do líder do PSD, incoerente "é ficar dentro do partido a tentar destruir".

O Presidente do PSD lembra que uma coisa "é discordar criticamente e de forma genuína", outra bem diferente "é discordar de forma tática". A este propósito, Rui Rio dá o exemplo de Pedro Santana Lopes: "Podemos discordar, e eu posso discordar por ele ter saído, mas há pelo menos uma frontalidade. Saíu e tem legitimidade para criticar."

Quanto aos que continuam militantemente críticos internos - e sem nunca dizer nomes - Rui Rio sugere-lhes que sigam o mesmo caminho de Santana Lopes e abandonem o PSD.

"Há um ajustamento ideológico"

Não é a primeira vez que Rui Rio admite que quer recentrar o PSD. Mas se é preciso recentrar o partido, no entendimento de Rio, é porque ele derivou para algum lado nos últimos anos. "Não escondo que há uma evolução ideológica nos últimos 20 anos que inclina mais para a direita do que para a esquerda", reconhece Rio à TSF.

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O Presidente social-democrata não tem dúvidas: nos últimos anos, o PSD virou à direita. Primeiro com um "muito ligeiro deslocamento" durante a "liderança de Durão Barroso" e depois com Pedro Passos Coelho. Sobretudo, diz Rui Rio, "durante a governação e muito por influência da troika."

Declarações de Rui Rio no programa Bloco Central, da TSF.

Anselmo Crespo