"António Costa conseguiu afastar-se das aventuras e desventuras de Sócrates"

Francisco Louçã considera que o PS não sai muito afetado com a decisão de José Sócrates de abandonar o partido, uma vez que já se tinha distanciado do antigo primeiro-ministro há algum tempo.

No espaço de comentário que ocupa semanalmente na TSF, "A Opinião", Francisco Louçã afirmou que o caso de Manuel Pinho ganha uma "dimensão vertiginosa" com a desfiliação de Sócrates do PS, mas que não muda as circunstâncias do partido, há muito distante do antigo primeiro-ministro.

Uma distância que, na opinião de Louçã, o atual primeiro-ministro, António Costa, conseguiu aplicar à sua imagem.

"O momento decisivo da vida política de António Costa terá sido quando saiu do Governo para se candidatar à Câmara Municipal de Lisboa, e ganhou uma legitimidade e um espaço eleitoral e representativo próprio. Dessa forma, afastando-se dos anos mais conturbados da maioria absoluta socialista com José Sócrates, conseguiu ficar distante das aventuras e desventuras posteriores", afirmou o ex-coordenador do Bloco de Esquerda.

Em relação à recente polémica, para Francisco Louçã, é importante saber porque é que a EDP e BES fizeram pagamentos a Manuel Pinho durante a sua governação, uma vez que, defende, "os ministros têm que ter uma isenção total e, se houve pagamentos durante o período de governação, exige-se um esclarecimento público".

À parte de Sócrates e Pinho, Francisco Louçã considera que, de um modo geral, o sistema político tem sido, ao longo dos anos, "vulnerável aos grandes interesses económicos".

"As grandes empresas têm usado estratégias para recrutar influências e organizar redes de contactos para poder, através da colocação de pessoas da sua confiança, influenciar as escolas, as agendas e as formas de decisão dos vários governos", disse.

O economista teceu ainda críticas à "proximidade, paredes-meias, conversa feita, porta giratória, contacto permanente e seleção dos tópicos de interesse" que resultam na "conformação de uma elite próxima dos decisores políticos e dos gestores comerciais". "Este triângulo de interesses é uma ameaça à democracia".

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