Debate quinzenal

António Costa para o PSD: "Deve ter doído muito!"

No primeiro debate quinzenal depois das eleições autárquicas, António Costa deu força ao tema da habitação, atirou ao PSD, respondeu a Cristas e dialogou com PCP e BE sobre aumentos de pensões.

Com as perdas de autarquias por parte de PSD e PCP - e com o PSD em vias de mudar de líder - no último ato eleitoral, aguardava-se um debate quinzenal em que, mesmo marcado por outros temas, as eleições autárquicas teriam destaque, mas, porque no último domingo os social-democratas foram, segundo António Costa, os "grandes derrotados" da noite, esse não foi, por razões óbvias, o foco da intervenção de Hugo Soares, o novo líder parlamentar do PSD.

Em estreia no confronto com António Costa, o líder da bancada 'laranja' começou por recuperar um tema: Tancos.

"Pode dizer hoje ao país se o que aconteceu em Tancos foi ou não um furto?", perguntou Hugo Soares, depois de por em causa as ideias e os programas apresentados pelo Governo para a reabilitação urbana e habitação.

Uma questão à qual António Costa acabaria por responder com uma frase: "O Governo não faz investigação criminal".

No debate os social-democratas insistiram ainda na questão dos "erros na colocação de professores", com António Costa a garantir que "Nenhum professor ficou colocado em locais que não tenha escolhido" e que apenas "cem" docentes estão nesta situação.

Pouco depois, a primeira farpa autárquica para os social-democratas: "Deve ter doído muito, quatro dias depois ainda estão incomodados". Mais à frente, seria o novo líder parlamentar o visado por António Costa, que acabaria por aplicar uma crítica mais global aos social-democratas.

"Apesar de o senhor deputado Hugo Soares estar neste momento ao telefone, não posso deixar de registar que, efetivamente, a oposição nada aprendeu nem nada esqueceu. Já mudaram de líder parlamentar e parece que agora estão para mudar de líder partidário, mas parece que não muda o pensamento e o seu discurso", disse.

Comentários sobre os resultados eleitorais que seriam recuperados por Assunção Cristas, a afirmar-se, perante António Costa, satisfeita por ter retirado a maioria a Fernando Medina, em Lisboa. A líder do CDS-PP que, lembrando a perda de câmaras do PCP também atiraria aos comunistas, falando de um partido "desconsolado".

Pelo PCP a resposta de Jerónimo de Sousa não tardaria: "Lembra-me a história da fábula da rã que queria ser boi", disse o secretário-geral do PCP para Assunção Cristas.

Depois do esgrimir de argumentos relativos ao ato eleitoral, do BE, o aviso de que este seria o último debate quinzenal antes da entrega do Orçamento do Estado, com Catarina Martins a pedir mais em matéria de pensões, com o fim do fator de sustentabilidade, bem como a redução da fatura energética.

De António Costa, um sinal para as negociações à esquerda: "Há um dado novo que temos de ter em conta no exame comum. Tendo este ano um crescimento garantido da economia acima dos 2%, vamos ter, pela primeira vez, aplicada a regra da Lei de Bases da Segurança Social, que determina que as pensões até 840 euros tenham um aumento acima da inflação".

Uma medida que, segundo Costa, poderá custar aos cofres do Estado 295 milhões de euros.

Ainda assim, o primeiro-ministro volta a falar de "passos" quando o tema é o Orçamento do Estado. "Na medida do passo que podemos dar", é a resposta.

Para o PCP que, nas últimas horas, tinha acenado com a afirmação de que não há qualquer acordo que "amarre" socialistas e comunistas, o essencial é "aprofundar" a recuperação de direitos e rendimentos. A Jerónimo de Sousa, António Costa acenou com a "continuidade" do trabalho iniciado há dois anos e com a garantia de que o Governo está empenhado em combater a precariedade, também no setor privado.

Suficiente ou não é o que se irá perceber nos próximos dias, com a intensificação do "exame comum" e dos diálogos à esquerda na elaboração do Orçamento do Estado.

No final, tempo ainda para Helena Roseta não deixar António Costa sair do hemiciclo sem voltar ao tem da habitação, com a ex-vereadora da Habitação em Lisboa a apelar a um maior diálogo com associações de moradores. "Nunca mais houve um programa público de habitação com a participação das comunidades", disse.

Na resposta ao tema trazido à Assembleia pelos Socialistas, António Costa garantiu: "Queremos uma estratégia nacional e não uma estratégia só deste Governo para uma nova geração de políticas de habitação. Sei bem que para uma boa gestão é fundamental contar com a participação das respetivas associações".

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