Política

António Costa nega que PS esteja a desafiar Marcelo

Em causa está decisão do PS de manter a sua posição sobre as alterações à lei do financiamento dos partidos apesar do veto do Presidente da República.

António Costa afirma que é por uma questão de coerência que o PS vai manter, tal como está, o texto das alterações à lei do financiamento dos partidos mesmo depois do veto do Presidente da República.

A secretaria - geral adjunta do PS revelou no programa Parlamento da RTP que os socialistas não vão mudar uma virgula ao documento garantindo ainda que voltariam a apresentar as mesmas propostas. Ana Catarina Mendes reafirmou também que as alterações feitas à lei não foram feitas às escondidas apesar de um dos argumentos do Presidente da República para ter chumbado o documento foi a falta de transparência do processo, a falta de fundamentação de documentos e de explicações.

Questionado pelos jornalistas, este sábado, à entrada para a Comissão Nacional do PS, que decorre em Lisboa, António Costa destacou que ao não mudar de posição os socialistas não estão a desafiar Marcelo Rebelo de Sousa.

O PS vai confirmar as alterações propostas para a lei do financiamento dos partidos assim como o PCP e o Partido Ecologista os Verdes. O Bloco de Esquerda admitiu reformular o texto. Falta saber o que irá fazer o PSD que esta à espera de conhecer, este sábado, o seu novo líder.

Nestas declarações, António costa garantiu ainda que o PS, ao manter o texto tal como está, também não está a afrontar os social -democratas até porque estes votaram a favor das alterações à lei de financiamento dos partidos.

Questionado sobre as diretas do PSD, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS não se pronuncia porque não quer interferir.

António Costa anunciou ainda que vai encontrar-se com o Presidente angolano no final deste mês, durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suiça, e salientou que não há nenhum problema político entre os dois países.

"Tenho um novo encontro marcado [com o chefe de Estado angolano, João Lourenço] para Davos dentro de duas semanas. Portanto, as relações entre Portugal e Angola vão decorrer com toda a normalidade possível, num contexto em que há um problema", declarou António Costa, numa alusão ao processo da Justiça portuguesa que envolve o ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente.

Em dezembro passado, durante a última cimeira entre a União Europeia e África, Costa reuniu-se com o Presidente da República de Angola, João Lourenço.

"Foi uma reunião frutuosa, onde ficou claro que não há nenhum problema entre Portugal e Angola dos pontos de vista económico e político. Há uma questão que transcende o poder político, que não diz respeito ao Presidente da República, ao Governo ou à Assembleia da República. É um tema da exclusiva responsabilidade das autoridades judiciárias", salientou o primeiro-ministro.

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