Cavaco diz que Guterres tem "indiscutivelmente" o perfil certo para liderar a ONU

Condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, António Guterres ouviu o presidente da República elogiar a "liderança" e a "competência" do ex-Alto Comissário da ONU para os Refugiados. Guterres quer que candidatura às Nações Unidas envolva todos os partidos.

O jornalista João Alexandre ouviu Cavaco Silva defender que António Guterres é o homem certo para liderar a ONU

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"António Guterres indiscutivelmente tem o perfil, a experiência e os conhecimentos para desempenhar o mais alto cargo do sistema das Nações Unidas", disse Cavaco Silva, em Belém, durante a cerimónia em que homenageou o ex-primeiro-ministro com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Se o apoio do governo português à candidatura já tinha sido deixado claro através dos canais oficiais, também Cavaco Silva reitera que António Guterres" tem todo o apoio de Portugal" e "o apoio generalizado dos portugueses".

Na cerimónia, o presidente da República sublinhou a forma como o ex-primeiro ministro socialista lidou com a "crise migratória" - que entende ser "uma das crises mais dramáticas das últimas décadas" -, desencadeou "reformas" no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e prestou serviços públicos a Portugal durante mais de 20 anos.

Depois de ouvir os elogios por parte do chefe de Estado, Guterres disse estar "muito sensibilizado" e agradeceu o que define por palavras "carinhosas e gentis" de Cavaco Silva, afirmando a esperança de que a candidatura ao lugar agora ocupado por Ban Ki-moon envolva "as diferentes forças políticas e os diferentes órgãos de soberania" portugueses.

Reconhecendo as "dificuldades" da candidatura, António Guterres entende que, para já, o essencial é manter a "tranquilidade" e dizer que está "disponível para fazer algo mais em matéria de serviço público".

Quanto a consultas no plano internacional, para garantir o apoio de outros estados à candidatura a secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro garante que são apenas esporádicas, havendo apenas "duas ou três exceções".

Depois de depois condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, António Guterres definiu ainda o 25 de abril como o "acontecimento central" da vida política e social do agora candidato, numa cerimónia em que voltou a criticar o rumo de "intolerância e xenofobia" seguido, nos últimos anos, em países europeus com economias mais fortes do que a portuguesa.

"Quando olho para esta Europa que não foi capaz de se unir e de se organizar em solidariedade para responder a uma crise migratória e de refugiados que nem foi das mais avassaladoras, é profundamente reconfortante regressar a Portugal", concluiu António Guterres, após defender que ao contrário de outras potências da Europa, Portugal "nunca perdeu a identidade".

Na cerimónia marcaram presença o primeiro-ministro, António Costa, e ainda figuras como o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, o ex-presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, Artur Santos Silva, presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, e ainda Manuela Ferreira Leite ou os socialistas Jorge Coelho e Edite Estrela.

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