Política Pura

"A 'Geringonça' já teve melhores dias"

Na véspera do debate sobre o Estado da Nação, as lideranças parlamentares analisam o bom, o mau e o futuro.

À volta da mesa da rádio sentaram-se os líderes parlamentares do PCP, João Oliveira, do CDS, Nuno Magalhães, do BE, Pedro Filipe Soares e Adão e Silva (vice-presidente do PSD), João Galamba (vice-presidente do PS).

O PS manifesta a convicção de que a legislatura vai ser cumprida e que "o trabalho que levou a aprovação de três orçamentos irá merecer total empenhamento". E cita António Costa para não ver "utilidade para os partidos que têm aprovado os orçamentos em desbaratar uma solução que tem tido tão bons resultados para a maioria".

Menos certezas mostra o PCP com João Oliveira a reafirmar que o partido "não aprova nem rejeita propostas que ainda não conhece", enquanto deixa o caderno de encargos para o OE 2019.

Pedro Filipe Soares lembra que quem atribui influência aos partidos é o eleitorado e apela a que "não seja o eleitoralismo a dizer que o próximo ano será de sabática para depois se regressar, depois de eleições à construção de eleições ".

Todos elegem como positivos os resultados económicos e a redução do desemprego mas a partir daí vincam-se as diferenças.

Para os parceiros da esquerda parlamentar, "é preciso ir mais longe na reposição de direitos e rendimentos" numa tónica que choca com o "não há dinheiro para tudo" do PS, partido que governa.

À direita, PSD e CDS sublinham que alguns dos aspetos positivos começaram a ter expressão ainda com o anterior governo e criticam a esquerda por "se colar às boas notícias" e demarcar-se da "austeridade escondida".

Perante as divergências à esquerda, o social-democrata Adão e silva desconfia da aprovação do Orçamento.

"Não sei se haverá um Orçamento com a Geringonça. Pelo que estou a ouvir isto já teve melhores dias. No tempo fantástico das reversões das políticas do anterior governo eram hinos, cantatas, tudo no maior dos mundos. Agora são tropeções e caneladas, empurrões para um lado e empurrões para o outro.

Para o CDS, que já anunciou o voto contra, garantindo que não será o voto centrista a viabilizar um governo de António Costa, as prioridades para depois das férias são o interior e demografia.

"Em setembro iremos reapresentar um pacote legislativo em relação à democracia e fazer aprovar o estatuto fiscal para o interior", anuncia Nuno Magalhães.

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