O aviso ao PS: "Não podemos deixar para amanhã o que tem de ser feito nesta legislatura"

Pedro Filipe Soares elege as leis laborais e a Lei de Bases da Saúde como questões para concluir "nesta legislatura". Nas Jornadas Parlamentares, em Aveiro, BE quer ligar o investimento público às alterações climáticas.

O relógio está a contar e na viagem eleitoral o Bloco de Esquerda (BE) pressiona o Partido Socialista (PS) a resolver antes do final da atual legislatura "questões fundamentais" como a Lei de Bases da Saúde, as alterações às leis laborais e as regras para maior transparência na vida política.

"Temos até junho/julho para terminar estes processos e devemos fazê-lo. Se deixarmos para amanhã aquilo que podemos fazer hoje significa que não podemos aproveitar esta viragem do contexto político que aconteceu em 2015 e significa que há aqui um jogo político para não fazer hoje e também para não fazer no futuro", avisa, em entrevista à TSF, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares.

O recado segue para a bancada do PS e para o Governo a quem o Bloco desafia a "não protelar" e a não "usar o tempo como uma variável para impedir transformações".

Entre os exemplos apontados estão as alterações ao Código de Trabalho - que "deviam ter terminado em setembro e não se prevê ainda a conclusão do trabalho" -, e a Lei de Bases da Saúde.

"Cada dia que passa é menos um dia que temos até chegarem às eleições. Muitos dos pontos essenciais que queríamos resolver nesta legislatura estão a ser apreciados por causa do tempo que se comprime. Não é por nossa responsabilidade que não aconteceu antes. Não podemos deixar para amanhã o que tem que ser feito nesta legislatura. É um tempo curtíssimo para que estas alterações fundamentais tenham alguma consequência na vida das pessoas", afirma o líder da bancada bloquista.

Outra das matérias onde o BE encontra atrasos é na questão da Transparência com uma comissão que "há mais de dois anos não sai da cepa torta" e onde "muitas das vezes o bloco central atrasa", acusa Pedro Filipe Soares.

"Desinvestimento público"

Esta segunda e terça-feira, no distrito de Aveiro, o BE vai deixar alertas sobre a necessidade de concretizar "investimento público gerador de riqueza e de emprego".

O primeiro ponto da viagem é a bordo do "Vouguinha", o comboio que cruza a linha do Vouga, imagem do "desinvestimento ao longo dos anos".

"Demonstra como a ferrovia não foi prioridade. Tivemos muitos planos, mas não saíram do papel, e quando olhamos para este Governo, esse também é um problema. Nos últimos anos, o principal problema é que não houve investimento público reprodutor de riqueza. O investimento público é mais importante do que ter metas de défice para Bruxelas ver", defende o líder parlamentar do Bloco.

Durante esta tarde, Pedro Filipe Soares vai estar ao lado de Catarina Martins na visita a Pedorido, em Castelo de Paiva, onde mais de um ano depois dos incêndios, o subsolo ainda tem focos de combustão.

"É mais um exemplo de como as alterações climáticas são mais uma realidade na nossa vida do que temos noção", explica Pedro Filipe Soares, que recorda "o passivo ambiental resultante das minas de carvão do Pejão" e a "falta do investimento público" para justificar o o impacto na saúde pública.

Depois da viagem no "Vouguinha", o grupo parlamentar do BE segue para a Feira de Espinho e à noite está marcado um jantar com intervenções de Marisa Matias, que lidera a lista do BE às eleições europeias, e também da coordenadora bloquista Catarina Martins.

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