"Joe Berardo e José Guilherme são a parte de baixo da cadeia alimentar"

Jorge Coelho entende que Pacheco Pereira "diaboliza" a Banca como um todo. Lobo Xavier lembra que empréstimos de mil milhões de euros não se fazem sem uma "concertação muito organizada entre os bancos e com intervenção do poder político".

A Banca e a lista de Grandes Devedores foram o tema central de mais uma Circulatura do Quadrado. Pacheco Pereira, Jorge Coelho e Lobo Xavier discutiram a gestão dos bancos feita no passado e as consequências da mesma nos tempos que correm.

"De facto, a Banca e a Finança é a grande responsável por andarmos, há mais de 10 anos, em variações à volta da austeridade em que, como é óbvio, quem pagou não foi quem gastou nem quem recebeu", começou por atirar Pacheco Pereira no programa com transmissão simultânea na TSF e na TVI24.

O ex-deputado social-democrata considera que a situação com os Grandes Devedores é uma "coisa absolutamente afrontosa para o cidadão comum" e defende que as personagens "são todas previsíveis".

"As listas continuam, em grande parte, protegidas, mas a verdade é que essas pessoas continuam a viver como se não tivessem dívidas. E nós continuamos a dar dinheiro para a Caixa Geral de Depósitos, para o Novo Banco, já demos para o Banif, já demos para o BPN e continuamos a dar dinheiro que é do conjunto dos portugueses - a maioria dos quais não tem nenhuma culpa do que aconteceu, quer por má gestão da banca, quer por gestão política da Banca", defendeu Pacheco Pereira.

Instado a esclarecer o que entende por "gestão política da Banca", o social-democrata explica que "não há orientações nem despachos a dizer 'deem créditos'", mas que se "escolhem pessoas".

Partindo do exemplo de Armando Vara, que teve como "uma das suas funções a concessão de crédito", o antigo deputado recorda que esse "é um instrumento fundamental" dos Governos - em particular como o de Sócrates e, de outra forma, "de todos até hoje".

"Quer se queira, quer não, Berardo, José Guilherme e outros são a parte de baixo da cadeia alimentar. Daí para cima houve muitas pessoas que tomaram decisões que permitiram que eles andassem a pedir dinheiro que, obviamente, nunca pagaram", defendeu.

Lançando uma pergunta - "por que razão agora?" - foi o próprio a responder. "Provavelmente eles já têm todo o dinheiro garantido em vários sítios. Está tudo armadilhado do ponto de vista legal. Agora suscitou-se um problema de opinião pública por causa do inquérito da Assembleia e aquilo é tão escandaloso que, em relação a um ou dois ou três, vai ter que haver iniciativas", declarou.

Jorge Coelho considera que Pacheco Pereira "diaboliza" o papel da Banca "como um todo" a partir da ideia de que "existindo um banco, existe uma agremiação de malfeitores". Embora o socialista reconheça que tal tem acontecido, alerta para a importância de transformar "o que está mal" em bancos a funcionar em pleno, com boa gestão e "ao serviço do desenvolvimento do país e daquilo que é a vida normal das famílias e das empresas".

O antigo ministro do Equipamento Social, Presidência e Estado acredita que Portugal vive uma fase em que "acabou um período muito negro do funcionamento do sistema financeiro", estando agora o país melhor, mais ainda "muito longe de estar bem".

Recordando as inspeções à banca, feitas no tempo da Troika - em que "nunca se viu nada" - ​​​​​​​Jorge Coelho entende que "é evidente que a Caixa Geral de Depósitos tem ações contra" as pessoas mencionadas por Pacheco Pereira.

António Lobo Xavier juntou-se ao debate para explicar que "só é possível emprestar mil milhões de euros a uma empresa ou a uma pessoa, sem garantias fortíssimas" com uma "concertação muito organizada entre os bancos e com intervenção do poder político", pelo que é possível que algo do género escape aos reguladores.

Assim, o ex-deputado do CDS entende que o que Portugal teve "não foi uma crise de Banca", mas sim de "irresponsabilidade política" que levou "a reboque a Banca que era gerida por irresponsáveis e criminosos".

Perante estas afirmações, Jorge Coelho reiterou o desconforto em ver afirmado que "todas as pessoas, em determinado momento, foram criminosas, fizeram isto porque eram corruptos e estavam a mando do poder político". Reforçando que acredita no sistema jurídico e nos inquéritos abertos. "É preciso ver quem são os culpados disto. A sério", apelou.

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