Primeiro-ministro

Bruxelas costuma estar... errada. A forma criativa como Costa respondeu às previsões europeias

O primeiro-ministro escolheu uma forma original para reagir às previsões económicas da Comissão Europeia para Portugal, mostrando como Bruxelas se tem enganado ao longo dos últimos anos.

António Costa reagiu, esta sexta-feira, às previsões europeias, publicando, na sua página oficial de Twitter, uma tabela que ilustra que as estimativas de Bruxelas em relação à economia portuguesa têm sido erradas, ao longo dos últimos anos.

Esta quinta-feira, a Comissão Europeia divulgou estimativas que apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português abaixo das previsões do ministro das Finanças, Mário Centeno. Em vez dos 2,2% apresentados no projeto de orçamento, Bruxelas calcula que, no próximo ano, o PIB registe um crescimento de 1,8%.

Também relativamente ao défice orçamental, a Comissão Europeia acredita que só em 2020 o défice atingirá os 0,2% - que o Governo tenciona apresentar já em 2019. Bruxelas entende que, em vez disso, no próximo ano, o défice andará nos 0,6.

Em resposta, o primeiro-ministro lembrou, na rede social Twitter, que Bruxelas não tem acertado nos valores reais do PIB, desemprego e défice portugueses.

"Sobre as previsões económicas da Comissão Europeia, ontem divulgadas, vale a pena comparar as previsões feitas em anos anteriores com os resultados obtidos", escreveu o primeiro-ministro, como legenda da tabela.

De acordo com os dados publicados por António Costa na rede social, as previsões para 2015 apontavam para um crescimento de 1,7%, enquanto, na realidade, o PIB cresceu 1,9%. O mesmo aconteceu em 2017, quando a estimativa foi de 1,8%, mas o crescimento real do PIB foi de 2,8%.

Também em relação ao desemprego, Bruxelas falhara: previa que este estivesse nos 11,7%, em 2015, quando o mesmo se ficou por 11,1%. Já em 2017, a estimativa era de 10,8% e o número real foi 8,9%.

Os erros de cálculo da Comissão Europeia estendem-se também ao valor do défice. Em 2016, a previsão era de 2,9% do PIB - quando o valor real foi de 2% - e, em 2017, previa um défice de 3,5% do PIB, mas este foi de 0,9% (se excluirmos das contas a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, que o elevariam para 3% - ainda assim, abaixo das previsões europeias).

O mesmo sucedeu quanto aos valores do défice orçamental: em 2016 a previsão da Comissão Europeia apontavam para 2,9% e na realidade o número ficou em 2%.

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