"Campanha de falsidades é o pior da campanha europeia até agora"

Pedro Marques, cabeça de lista do PS às Europeias de 26 de maio foi o convidado especial desta edição da Circulatura do Quadrado.

Jorge Coelho lançou o debate para mais uma edição da Circulatura do Quadrado de forma clara: "Não sei o que é que vai acontecer relativamente a esta decisão, que eu considero de uma irresponsabilidade absoluta, que hoje foi tomada no Parlamento."

O antigo ministro socialista referia-se à aprovação, na especialidade, de uma alteração ao decreto do Governo que estipula que o tempo de serviço dos professores a recuperar são os nove anos, quatro meses e dois dias reivindicados pelos docentes.

Para Jorge Coelho, no entanto, o problema não se encerra só nos professores, uma vez que tal decisão "vai implicar que todas as profissões que tenham características idênticas" venham a exigir que tal seja aplicado "a toda a gente". O problema? "O problema é que as contas estão feitas e isto vai implicar uma crise orçamental em Portugal", defendeu.

Pedro Marques, cabeça de lista do PS às Europeias, foi o convidado especial desta edição da Circulatura do Quadrado. Jorge Coelho quis deixar uma pergunta: "Esta campanha eleitoral, quando começou, começou com uma crispação absolutamente sem sentido. O que é que acha melhor e pior do que tem acontecido nesta campanha eleitoral?"

O candidato às Europeias depressa identificou o pior, esclarecendo que é a existência de uma campanha "bastante negra e, sobretudo, sustentada em algumas falsidades."

Uma dessas falsidades, defende Pedro Marques, "foi claramente denunciada pelas declarações da comissária europeia Cretu quanto à gestão dos fundos europeus", que considera ter ficado resolvida com os esclarecimentos prestados pela responsável europeia em relação à gestão dos fundos europeus por parte do candidato.

Outra das causas de preocupação para Pedro Marques é "a repetição de uma falsidade quanto à negociação dos fundos comunitários". O candidato europeu rejeita a ideia de que "o acordo entre o Governo e o PSD não prevê que os fundos têm de se manter, pelo menos, a preços correntes, foi repetida por Paulo Rangel por três vezes" no debate dos candidatos realizado esta quarta-feira.

Para esclarecer esta questão, o ex-ministro do Planeamento e das Infraestruturas citou o acordo em questão: "Devendo, em qualquer caso, assegurar-se, à partida, que o montante financeiro, a preços correntes, da política de coesão, nunca será inferior ao Orçamento 2014/2020."

Pedro Marques diz não conseguir compreender a atitude dos social-democratas, garantindo que vai bater-se para a melhorar. Ainda assim, lembra que "não ajuda ao interesse nacional, numa negociação com a Comissão Europeia, estar a renegar aquilo que se assinou e dizer que o que se assinou não corresponde à verdade. Essa campanha de falsidades é o pior da campanha europeia até agora", lamentou.

Chegada a vez de Pacheco Pereira, foi o próprio a assumir que queria "partir a louça toda". Sobre o debate europeu, o social-democrata defendeu que só um país o nacionalizou - o Reino Unido - e que o resultado foi o Brexit.

"Todos os outros países não fazem um verdadeiro debate europeu, porque o Parlamento Europeu é uma instituição longínqua", defendeu, justificando com taxas de abstenção "elevadíssimas" e com a representação de uma "certa elite política - que uma vez colocada no PE se entende muitas vezes para defender os interesses nacionais, mas se afasta da vida política nacional".

Tal, defende, resulta na ausência de uma "verdadeira correlação das questões europeias para a política nacional, porque aquilo que é mais complicado discutir, ninguém discute".

Partindo para um exemplo, Pacheco Pereira quis saber qual a posição de Pedro Marques face à "circunstância do Parlamente português ter perdido os poderes orçamentais sem, verdadeiramente, debate público."

A essa questão seguiu-se outra, que acabou por tornar-se numa 'meia resposta': "Por que razão é que o Partido Socialista, que se queixa que há reformas no tratado orçamental, votou o tratado orçamental e o que aconteceu nos anos da Troika só foi possível porque os socialistas europeus colaboraram com os partidos do PPE em garantir uma política de austeridade que, objetivamente, teve os resultados que teve".

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