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"Catarina Martins vai tirar o lugar a Cristas como deputada que mais irrita Costa"

O painel de comentadores da Circulatura do Quadrado partiu de uma comparação feita por Catarina Martins para discutir as diferenças e semelhanças entre os governos de António Costa e Passos Coelho.

Será que Catarina Martins vai destronar Assunção Cristas como a deputada que mais irrita António Costa? Foi a esta pergunta que os comentadores da Circulatura do Quadrado, José Pacheco Pereira, Jorge Coelho e António Lobo Xavier dedicaram boa parte do programa transmitido na TSF e na TVI24.

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Na origem desta análise esteve uma afirmação de Catarina Martins, que comparou António Costa a Passos Coelho na gestão do sistema financeiro. "O que me diverte é que, provavelmente, Catarina Martins vai tirar o lugar a Assunção Cristas como a deputada que mais irrita António Costa. Compará-lo a Passos Coelho deve ser a pior coisa que lhe podem fazer", atirou António Lobo Xavier, quebrando o gelo sobre a discussão.

Pacheco Pereira fez saber de imediato que isso "é difícil", mas Lobo Xavier depressa clarificou. "A mim se me dissessem: você é igual a Passos Coelho em determinação, em dignidade pessoal, em coragem... Eu aceitava", reconhecendo que "para António Costa é capaz de ser pior do que os agravos que tem com Assunção Cristas."

Na resposta, Pacheco Pereira reconheceu que também vê "semelhanças entre Passos Coelho e António Costa", embora com uma diferença fundamental: enquanto Lobo Xavier "acha bem" que existam, o ex-deputado do PSD "acha mal".

Explicando o seu pensamento, Pacheco Pereira disse que "a política económica do Governo de António Costa - Centeno é a política da troika moderada, mas não tem nenhuma diferença qualitativa. A questão básica é esta, que é muito simples: 'défices zero' em países como Portugal são uma tragédia e garantem que não há desenvolvimento durante muitos anos."

O moderador Carlos Andrade lançou então a pergunta: "é um tema que pode render votos ao Bloco e, eventualmente, ao PCP?"

"O que tinha a render, já rendeu", considerou Pacheco Pereira.

Jorge Coelho, por seu lado, classifica como "centrais" as "duas grandes vitórias do país como um todo: ter criado condições para resolver uma parte significativa do problema da Banca em Portugal e as finanças públicas terem saído da catástrofe em que se encontravam", não querendo atirar culpas ao Governo anterior mas reconhecendo sim que o seu estado era a consequência de tudo o que aconteceu no país.

Uma anedota de uma semana

Se isto torna António Costa semelhante a Passos Coelho? "Não torna nada, isso é uma anedota, que não digo que é do mês porque a deputada Catarina Martins não tem estatuto na sociedade portuguesa para dizer uma anedota que valha um mês. Tem estatuto para valer uma semana. Devia ter tido mais respect nas afirmações que faz relativamente a alguém que é líder de um projeto do qual ela faz parte, que ela apoia há quatro anos, que aprovou os Orçamentos apresentados por essa mesma pessoa nos últimos quatro anos", defendeu Jorge Coelho. Para o ex-deputado do PS, este episódio foi de "oportunismo político" por parte de Catarina Martins.

Voltando a quem lançou o debate, António Lobo Xavier assinala uma "diferença muito grande" entre os governos de António Costa e o de Passos Coelho. "O Governo de António Costa decidiu fazer tudo quanto podia para resolver os problemas do setor financeiro. O fim do Governo de Passos Coelho foi caracterizado por se procurar esconder - ou disfarçar - os problemas que existiam na Banca", explicou.

Lobo Xavier recorda que António Costa "chamou sobre si, diretamente e em público, a necessidade de resolver problemas de estabilidade acionista nalguns bancos, a necessidade de resolver o caso do Banif e, talvez a sua bandeira mais importante onde até revelou bastante coragem, a necessidade de resolver a capitalização da Caixa."

A futurologia e o interesse espanhol

Pacheco Pereira arriscou-se então na futurologia, embora não goste de a fazer. "O Novo Banco foi vendido. Portanto, nós estamos a limpá-lo. Quando terminar de ser limpo, vale imenso dinheiro. Quem vai ficar com esse dinheiro é o Novo Banco e os seus atuais proprietários. Estamos a limpar aquilo tudo e, quando ficar brilhante, vai ser vendido por um balúrdio monumental. No entretanto, os contribuintes estão a pôr lá dinheiro sob forma de um empréstimo ao Fundo de Resolução", uma decisão que diz ser estrangeira e feita "à revelia da economia portuguesa, a favor da banca espanhola."

"A resolução do BES, como outro conjunto de decisões que foram tomadas em relação à banca portuguesa, beneficiam objetivamente a banca espanhola. E essas decisões nunca foram verdadeiramente discutidas porque os governos são covardes em relação à União Europeia", denunciou Pacheco Pereira.

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