Política

"Deixem-nos trabalhar." Teresa Morais não conspira nem nunca pediu lugares no PSD

A social-democrata acusa Rui Rio de repudiar parlamentares numa altura em que o partido "precisa, com certeza, de todos".

Os líderes passam e os deputados ficam. Teresa Morais entrou nas listas do PSD pelas mãos de Durão Barroso, teve outros líderes como Manuela Ferreira Leite e Passos Coelho.

No artigo de opinião que assina esta sexta-feira no Público, Teresa Morais faz uma revisão cronológica pela vida parlamentar para demonstrar que nunca pediu lugares na política e nunca deixou de dizer o que pensava com receio de perder estes 'lugarzinhos'.

Os pedidos vieram sempre do lado do PSD, garante Teresa Morais e dá mesmo o exemplo de Pedro Passos Coelho que a convidou a encabeçar a lista por Leiria, apesar da deputada não o ter apoiado nas eleições internas.

"Espero que tenha ficado claro que nunca, no tempo que levo de atividade política, pedi lugares. Nunca deixei de dizer o que pensava com o receio de perder lugares. Nunca me acocorei perante ninguém para manter lugares. Foi sempre do partido a iniciativa de me procurar", escreve

Teresa Morais tem agora um novo líder no partido, Rui Rio, e é a ele que se dirige para deixar claro que não existe uma conspiração destinada a desgastar a liderança.

A antiga vice-presidente do PSD assegura que não tem feitio para conspirações, que tudo o que quis dizer a Rio, disse-o cara a cara na única reunião do grupo parlamentar em que o presidente do partido participou até hoje.

Teresa Morais acusa Rio de repudiar deputados do partido e garante estar preparada para trabalhar pelo PSD que, em ano pré-eleitoral, vai precisar de todos.

"Por isso, escusam de se afanar a fazer listas de nomes de "opositores" que não o são, e de alegados "críticos" que estão simplesmente calados, no seu posto, preparados para trabalhar. É a única coisa que querem. Trabalhar. Se não pelo líder, que os repudia, pelo partido, que especialmente em ano pré-eleitoral precisa, com certeza, de todos."

A deputada lamenta que o maior grupo parlamentar português tenha a maioria dos parlamentares arredados do debate político, garante que há gente silenciada e impedida de exercer o mandato e realça que nem mesmo os esforços de Fernando Negrão conseguem furar o bloqueio da direção.

Tudo isto servirá para explicar uma teoria da conspiração que considera ser uma desculpa para justificar um eventual desaire eleitoral e legitimar o discurso de vitimização.

"Portanto, desculparão os que estão interessados em fomentar uma teoria da conspiração - esperando que ela os venha a ilibar de um eventual desaire eleitoral, legitimando o discurso da sua vitimização - mas não podem ou, seguramente, não devem, lançar calúnias sobre toda a gente."

Ainda assim, Teresa Morais não entrega o cartão de militante do PSD vai respeitar o mandato ainda que não se reveja na forma de estar do líder, mas faz um pedido pelo partido e pelo país:deixem-nos trabalhar!

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