"É óbvio que o português tem que continuar a ser língua oficial"

A lei prevê que o português, enquanto língua oficial de Macau, dure até 2049. Marcelo Rebelo de Sousa diz que tem que continuar, para lá dessa data.

Ao sexto dia, Marcelo não descansou. Pelo contrário, foi debaixo de um calor intenso e por entre vielas estreitas, cheias de gente e com um enorme aparato de segurança à volta, que o Presidente da República saiu às ruas de Macau, para fazer aquilo que ele faz melhor: contactar com pessoas.

O primeiro ponto da agenda em Macau, foi uma passagem pela Santa Casa da Misericórdia, mas onde muitos portugueses aguardavam Marcelo era na rua. O que segue é como aquelas anedotas que, por mais vezes que se contem, conseguem ter sempre graça. Se alguém o chama, ele corre. Se alguém o beija, ele retribui em dobro. Se alguém quer uma fotografia, ele espera pacientemente o tempo que for preciso. Se alguém o chama para comer, ele prova tudo e faz uma análise aprofundada que é quase sempre boa, pois claro.

Foi este filme repetido que se repetiu em Macau, com todas as diferenças de espaço, de ambiente, de temperatura ou de estado de espírito. Marcelo Rebelo de Sousa saiu que nem uma flecha da Santa Casa da Misericórdia e entrou na primeira loja que encontrou pela frente. Deu-se o caso de ser uma farmácia e de Marcelo ser um hipocondríaco assumido. Entrou, saiu, ziguezagueou as ruas vezes sem conta, sempre ladeado do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura da Região Administrativa Especial de Macau, a quem a estatura e a clara falta de experiência trouxeram enormes dificuldades de sobrevivência dentro da bolha que se criou em torno de Marcelo.

Mas foi com ele que o Presidente deixou "cair" a primeira notícia do dia: "Estava a falar com o Presidente Xi porque ele vem cá em dezembro e, provavelmente, eu também virei." Marcelo já tinha deixado esse cenário em aberto, na passagem por Xangai, mas desta vez deu um pequeno passo em frente, aproveitando para lembrar que "quando foi da transferência da administração vieram o Presidente da República e o primeiro-ministro. Pode ser que se repita a experiência."

Entre um pastel de nata e um chá - que Marcelo não tem por hábito beber, porque deixava de dormir de todo -, o percurso lá se vai fazendo em direção às Ruínas de S. Paulo.

Pelo caminho, uma jornalista portuguesa a trabalhar em Macau, quer saber o que pensa o Presidente sobre a continuidade, ou não, do português como língua oficial, depois de 2049. Marcelo não hesita, nem por um segundo: "Tem que ser, é uma questão lógica, é uma questão óbvia", afirma, explicando logo a seguir que o português "é um fator distintivo de Macau", e deixando ainda o desejo de ser "vivo...ora em 49, ainda faltam 30 anos. Tinha que ter 110 anos. Não é fácil."

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