Política Pura

Eleição de Centeno: "Certas pessoas estarão com um grande melão"

António Filipe, no programa Política Pura, lembra quem "tudo fez para derrubar" o ministro das Finanças. Sem "ilusões", o deputado do PCP espera que Centeno não faça de Portugal um exemplo "ortodoxo".

O PCP limita-se a felicitar Mário Centeno, a título pessoal, pela eleição para presidente do Eurogrupo mas não se congratula pelo país porque "não tem ilusões" sobre eventuais vantagens que possam resultar para Portugal.

"Até receio que haja um efeito contrário: que o ministro Mário Centeno, sendo presidente do Eurogrupo, entenda que o país deve dar o exemplo de um cumprimento ortodoxo das regras do Eurogrupo", diz António Filipe, no programa Política Pura.

O deputado comunista receia, por exemplo, que a União Europeia mantenha a pressão, por exemplo, sobre as leis laborais".

"Para a União Europeia, reformas estruturais é as pessoas trabalharem mais e ganharem menos".

Ainda assim, tendo em conta o que foi dito sobre a solução governativa, "o ministro Mário Centeno ganhou a aposta" aos críticos.

"Quando vimos o que foi dito ao longos destes dois anos, por dirigentes do PSD e por comentadores que nunca esconderam sua animosidade, relativamente à atual situação governativa, e em particular, pela atuação do ministro Mário Centeno, e até tudo foi feito para o tentar derrubar, acho que certas pessoas - e aqui vou usar o vernáculo - estarão com um grande melão. Isto deita por terra o que foi dito nos últimos anos.

Questionado sobre se a presidência de Centeno, no Eurogrupo, vai dificultar as relações entre o PS e os parceiros da esquerda, António Filipe considera que não.

"Os partidos que participam nesta solução governativa têm consciência das virtudes e das limitações. Não há aqui cartas debaixo da mesa, nem cartas na manga"

É por isso que, o deputado do PCP, não tira "a ilação de que, a partir de agora, as coisas vão azedar".

"Impulso para PSD perceber que há uma fase diferente"

Pedro Duarte considera que a eleição de Mário Centeno é uma "forte machadada" na narrativa que insiste "numa lógica estritamente económico-financeira" de comparação com o passado.

"O PSD deve ultrapassar essa fase e adotar uma nova proposta para o país e uma nova mensagem de futuro. Espero que isto seja um impulso para que o PSD perceba que há uma nova fase a ser prosseguida", defende Pedro Duarte.

Depois de ouvir António Filipe falar no desconforto dos críticos, o social-democrata contra argumenta que "quem estará numa posição mais desconfortável é quem, em Portugal, faz permanentemente um discurso de que este Governo mostrou que existe alternativa, quando, a nível internacional, a reputação só existe porque há a convicção que se tem prosseguido as politicas anteriores.

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