Roubo de armas em Tancos

"Está em causa segurança nacional", diz PSD e CDS quer esclarecimentos urgentes

O PSD e CDS exigem esclarecimentos urgentes sobre a existência de material militar furtado de Tancos ainda por localizar. O Ministério da Defesa diz que só falará após o desfecho judicial do caso.

Contactado pela TSF, o gabinete do ministro Azeredo Lopes diz que ainda é cedo para o ministro da Defesa falar.

Numa nota na sua página na rede social Facebook, o líder parlamentar Fernando Negrão considera "inacreditável" que ainda existam armas e explosivos por encontrar do material militar furtado há um ano do quartel de Tancos (Santarém), segundo noticia hoje o semanário Expresso.

"Está em causa a segurança nacional. O roubo aconteceu em instalações das Forças Armadas, a investigação foi feita pela Polícia Judiciária Militar e o resultado é a total falta de transparência", criticou Fernando Negrão.

O líder parlamentar do PSD, que na sexta-feira no debate do Estado da Nação já tinha dito que o Governo "não está interessado em apurar a verdade sobre este caso", acusa ainda o executivo de "não cuidar das funções de soberania" nem da segurança dos portugueses, exigindo "urgentes esclarecimentos".

Numa nota enviada à Lusa, o deputado do PSD Pedro Roque, coordenador da bancada social-democrata na Comissão parlamentar de Defesa, assegura que o partido irá confrontar o ministro Azeredo Lopes com esta matéria na audição parlamentar marcada para terça-feira.

"Embora a audição seja sobre a cimeira da NATO a gravidade do noticiado, a ser verdade, é de uma gravidade extrema. Aquilo que foi dito aos portugueses, pelo Exército e pelo Governo, foi que todo o material furtado tinha sido recuperado e ainda, estranhamente, acrescido de uma caixa de petardos não inventariada", acrescenta o deputado.

Pedro Roque salientou tratar-se de "material de guerra letal que, em mãos erradas, pode ser usado em atentados terroristas".

"Consequentemente, o tratamento deste assunto pelos responsáveis políticos e operacionais deve ser rigoroso e transparente", defende.

CDS quer confrontar ministro da Defesa com "informação incorreta" prestada à AR

O CDS-PP quer confrontar, terça-feira, o ministro da Defesa com o que considera "informação incorreta" prestada ao parlamento sobre o material roubado há um ano em Tancos, depois de o Expresso ter divulgado que ainda há material por encontrar.

Em declarações à Lusa, o deputado do CDS-PP e coordenador do partido na Comissão de Defesa, João Rebelo, disse que o partido "acompanha o comunicado do Presidente da República, em que este manifesta preocupação", mas, sobretudo, diz-se estupefacto com o que, segundo o Expresso, é referido pelo Ministério Público.

Segundo o semanário, os procuradores do Ministério Público salientam num recurso que, "ao contrário do que tinha sido veiculado pelo Exército e pelo Ministério da Defesa", ainda existe material que não foi recuperado do furto em Tancos, detetado em 28 de junho do ano passado.

O jornal salienta que em causa estão granadas e explosivos, referindo que o Ministério Público considera que "a segurança nacional está em perigo enquanto os assaltantes não forem capturados".

"Quando temos informação de que ainda há granadas à solta e a informação que foi prestada à Assembleia da República e à Presidência da República é uma informação que não está correta, ficamos muito preocupados sobre o verdadeiro acompanhamento que está ser feito deste caso pelo Exército", afirmou João Rebelo.

O CDS-PP espera que "ainda hoje" o Ministério da Defesa e o Exército se pronunciem.

De qualquer forma, os democratas-cristãos prometem confrontar, na terça-feira, o ministro Azeredo Lopes com esta notícia, numa audição parlamentar marcada com o objetivo de apresentar as conclusões da cimeira da NATO, que decorreu quarta e quinta-feira em Bruxelas.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reafirmou na sexta-feira à noite "a exigência de esclarecimento cabal" do ocorrido com o desaparecimento de armamento em Tancos, há um ano, e manifestou "preocupação".

Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República, após ter sido divulgada a notícia do jornal Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa diz que reafirma essa exigência de esclarecimento "de modo ainda mais incisivo e preocupado".

"E tem a certeza de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal, sob a direção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos portugueses, dos resultados dessa investigação. Que o mesmo é dizer o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização", acrescenta ainda o chefe de Estado.

O deputado João Rebelo classifica o comunicado do Presidente da República como "muito duro" e salienta tratar-se do Comandante Supremo das Forças Armadas.

"Quando há estes pronunciamentos do Presidente da República e não vemos reação, só uma espécie de silêncio envergonhado...", critica, salientando que, por seu lado, o parlamento tem feito "um acompanhamento exemplar" do tema.

Segundo João Rebelo, as informações prestadas ao parlamento, quer através do Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, quer do Governo, "foram taxativas" no sentido de que todo o material furtado, à exceção de algumas munições de 9 milímetros, tinha sido recuperado.

O furto de material militar de Tancos -- instalação entretanto desativada -- foi detetado a 28 de junho durante uma ronda móvel, pelas 16:30, por um sargento e um praça ao serviço do Regimento de Engenharia 1.

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e grande quantidade de munições.

A 18 de outubro passado, a Polícia Judiciária Militar recuperou, na zona da Chamusca, quase todo o material militar que tinha sido furtado da base de Tancos no final de junho, à exceção das munições de 9 milímetros.

Contudo, entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do que tinha sido roubado, o que foi atribuído pelo Exército a falhas no inventário.

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