EUA avisam Portugal contra a Huawei. Marcelo não vê qualquer problema

"Portugal está muito à vontade" com a hipótese de que a Huawei opere a internet 5G, garante Marcelo Rebelo de Susa, apesar de os EUA acusarem a tecnológica chinesa de espionagem.

Marcelo Rebelo de Sousa não vê problema nenhum em que a chinesa Huawei concorra ao 5G, em Portugal. No primeiro dia da visita oficial do Presidente português à China, Marcelo afirmou que "Portugal está muito à vontade" com a hipótese de a multinacional chinesa atuar no país, apesar das pressões exteriores.

Os Estados Unidos têm vindo a pressionar vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei na construção de infraestruturas para redes 5G, a Internet do futuro, acusando a empresa de estar sujeita a cooperar com os serviços de informação chineses.

A Austrália, Nova Zelândia e Japão aderiram já aos apelos de Washington e decidiram restringir a participação da Huawei.

Questionado sobre o tema, durante a visita oficial à China, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que Portugal está alinhado com a posição da União Europeia e que há sempre regras de segurança a cumprir.

"A Europa tem uma posição tomada, então Portugal está muito à vontade. O Governo português tem regras e vai seguir as regras para garantir a segurança, a isenção, a transparência - todos os princípios próprios de um Estado de Direito democrático", assegurou o Presidente da República.

Não referindo o memorando de entendimento assinado em dezembro entre a Meo e a Huawei sobre o desenvolvimento da tecnologia 5G, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "o Estado português é livre de escolher quem melhor cumprir as regras e quem estiver em condições de ser escolhido".

"O facto de haver um acordo entre empresas - chinesas, portuguesas ou de outras nacionalidades - para concorrer ou deixar de concorrer, isso não vincula ao Estado português", acrescentou.

Até dia 30 de junho, todos os Estados-membros da União Europeia têm de comunicar as suas preocupações relativamente à implementação do 5G.

A acompanhar Marcelo Rebelo de Sousa na visita oficial à China, o ministro dos Negócios Estrangeiros esclareceu que os receios em causa se prendem com o facto de o 5G ser uma tecnologia muito poderosa, e não com o envolvimento da Huawei, em particular.

"É uma questão de tomarmos as medidas necessárias para que a infraestrutura digital do 5G, que é poderosíssima, obedeça a todos os requisitos dos Estados do ponto de vista da segurança e dos dados pessoais", garantiu Augusto Santos Silva. "Todos nós, os 28 [Estados-membros], estamos a trabalhar de modo que, até 30 de junho, comuniquemos uns aos outros qual a avaliação que fazemos, para depois, a nível europeu avançar."

O Presidente da República começa esta sexta-feira uma visita de seis dias à China, durante a qual será recebido pelo chefe de Estado chinês, Xi Jinping e pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.

A comitiva do Governo é composta pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e pelo secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.

Na viagem seguiu ainda um delegação parlamentar composta pelos deputados Adão Silva, do PSD, Filipe Neto Brandão, do PS, Telmo Correia, do CDS-PP, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, e por Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista "Os Verdes". O Bloco de Esquerda e o PAN rejeitaram estar presentes, justificando a decisão com a atual situação dos direitos humanos e das liberdades na China.

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